terça-feira, 1 de setembro de 2015

MINHA TEODICEIA (atualização 27.11.15)





















Teodiceia é um termo derivado do título da obra Ensaio de teodiceia de Leibniz que justifica a existência de Deus a partir da discussão do problema da existência do mal e de sua relação com a bondade de Deus (1). Leibniz foi um filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão. E como filósofo ele escreveu Teodiceia em 1710 (2). E pensando nisso resolvi dissertar também sobre o assunto. Pois, vejo muitas pessoas descrentes questionarem a existência de Deus por causa da existência do mal. Já me perguntaram: “Se Deus existe, porque há tanta dor e sofrimento no mundo?”. Há também muitos crentes que se abalam na fé quando o mal lhes sobrevém, e ficam questionando a bondade divina.


Segundo o pastor Josemar Bessa, em seu vídeo: Teodicéia, Deus decretou o mal? (3) ele explica que há quatro tipos de mal. O primeiro ele chama de “mal natural”, que envolve todas as catástrofes e males naturais: terremotos, tsunamis, enchentes, tornados, epidemias, enfermidades, etc. O segundo mal ele chama do “mal moral”, que envolve todas as maldades humana, todos os conflitos, guerras, discórdias, crimes, violência, estupros, etc. (Cf. Gn.6.5; Rm.3.23; 1Jo.1.10). O terceiro mal ele chama de “mal sobrenatural” (Cf. Ef.6.12), que são anjos que caíram (Cf. Ap.12.3,4a) e, associados ao seu chefe: O Diabo (Cf. Mt.4.1) ou Belzebu (Cf. Mt.12.24; Mc.3.22), se opõem a Deus e que, no meu entendimento, trazem males sobre a terra e sobre o homem. A Bíblia diz: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”. (1Jo.5.19). Os anjos caídos oprimem os seres humanos, fazem possessões, produzem as tentações, até enfermidades, como vemos nos Evangelhos que algumas aconteciam por causa da possessão do maligno sobre as pessoas (Mt.9.32,33; Mc.9.17,25; Lc.11.14). Relatando sobre o Diabo a Bíblia diz: “nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”. (Ef.2.2). O quarto mal ele chama de “inferno” ou “lago de fogo”, um lugar de tormento e sofrimento eterno (Cf. Lc.16.23; Mt.10.28; 11.23; Ap.1.18; 20.10,14; 21.8) que, segundo a Bíblia, foi destinado para o “... Diabo e seus anjos.” (Mt.25.41). Mas, que parte da humanidade vai pra lá também por que rejeita a graça salvadora que lhes é ofertada, a redenção da Queda (Cf. Tt.2.11; 1Tm.2.4; Jo.1.11-13; 3.19-21; Hb.3.7,8,12). Para o Diabo e seus anjos não existe redenção porque eles não foram tentados por ninguém a desobedecer, mas pelo livre arbítrio próprio se rebelaram contra Deus.

O inferno é um lugar onde Deus não se faz presente para que aqueles que não querem ele possam viver a eternidade sem a sua presença. Uma vez que durante suas vidas nunca aceitaram o governo divino. Então, Deus concede-lhes um lugar apropriado.

O mal é resultado da Queda. Todos os males citados acima na verdade são conseqüências da Queda. Tanto dos anjos quanto do homem. Pois segundo a Bíblia tudo o que Deus fez “era muito bom” (Gn.1.31). A natureza, a vida, funcionava em uma plena harmonia. Tudo foi feito belo e em equilíbrio. Todavia, quando olhamos para o mundo ao nosso redor nos vemos cercados de dor, sofrimento, perdas, angústia, desordem, etc. Isso não faz parte da criação de Deus. Mas, é resultado dessa Queda. Deus disse a Adão depois que ele caiu em desobediência: “... maldita é a terra por tua causa...”. (Cf. Gn.3.17b). A terra tornou-se um lugar “condenado” apesar de ter ainda muita beleza na natureza hoje, mas era muito melhor antes da Queda. E agora “... toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora”. (Rm.8.22a ARC).

A Queda é um termo teológico que concluímos no estudo da Bíblia sobre o que aconteceu quando o ser humano representado em Adão e Eva que, ao serem tentados pelo Diabo, desobedeceram pelo seu livre arbítrio a ordem de Deus e nisso caíram do seu estado original (Cf. Gn.2.17; cap 3). Onde a pior das conseqüências dessa Queda foi a ausência de Deus. Segundo a Bíblia, eles eram: imortais, puros, santos, de plena saúde e plena comunhão com Deus. Mas, ao caírem, tornaram-se: mortais (Cf. Rm.5.12), impuros (Cf. Gn.3.7), enfermos (Cf. Sl.38.3,4), pecadores e destituídos da glória de Deus (Cf. Rm.3.23). E isso passou a todas as demais gerações. A Queda relacionada aos anjos é outro termo teológico que concluímos sobre o que aconteceu com anjos. Que a terça parte deles se rebelaram contra Deus e por isso foram precipitados dos céus. Porém, dois terço dos demais anjos permaneceram fiéis, que são chamados de “anjos eleitos” ou “anjos de Deus”. Sobre isso a Bíblia diz: 

“e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. (Jd.1.6).

“Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo”. (2Pe.2.4).

“Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade”. (1Tm.5.21)

“E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”. (Hb.1.6).

Temos ainda duas passagens bíblicas que descrevem profeticamente como ocorreu a rebeldia de Satanás (Is.14.12-15; Ez.28.12-19). E sobre isso comenta Myer Pearlman: “Notemos os antecedentes históricos nos capítulos 14 de Isaias e 28 de Ezequiel. Muitos têm perguntado: ‘Por que os reis da Babilônia e de Tiro são mencionados primeiramente, antes de relatar-se a queda de Satanás?’ A resposta é: o profeta descreveu a queda de Satanás tendo em vista um propósito prático. Alguns dos reis de Babilônia e Tiro reivindicaram adoração como seres divinos, o que é uma blasfêmia (Vide Dn.3.1-12; Ap.13.15; Ez.28:2; At.12.20-23), e faziam de seus súditos o jogo de sua ambição cruel. Para poder admoestar os tais, os inspirados profetas de Deus afastaram o véu do obscuro passado e descreveram a queda do anjo rebelde, que disse: ‘Eu serei igual a Deus’. Esta é a lição prática: Se Deus castigou o blasfemo orgulho desse anjo de tão alta categoria, como deixar de julgar a qualquer rei que se atreva a usurpar o seu lugar?”(4)

O mal é a ausência de Deus. Assim como o frio é a ausência do calor. O Diabo ao se rebelar contra Deus, a ausência divina ocorreu em seu coração e em seus cúmplices (os demais anjos caídos). O mesmo ocorreu com o homem, ao desobedecer a Deus, tornou-o ausente de sua vida e em seu coração. Daí o mal passou a existir. Deus é amor, bom, benigno, longânime, fiel, santo, puro, perfeito, justo, misericordioso, etc. A sua ausência na vida e nos corações, trouxe o contrário desses atributos. Por isso, toda maldade que existe é resultado da falta de Deus. Após a Queda o mundo ficou entregue ao caos, desordem e sob o domínio do Diabo (Cf. Mt.4.8,9; Jo.16.11).

Se Deus existe, como ele é Deus, sabia que os anjos iam se rebelar ou que o homem ia desobedecer; obviamente ele pré-ordenou o mal? Deus pré-ordenou as coisas impessoais, desprovidas de livre arbítrio: o universo em sua composição de espaço, tempo e matéria, Ele pré-ordenou a natureza em seu reino animal, vegetal e mineral. Ele é o criador de todas as coisas. Mas, tratando dos seres pessoais que ele criou com livre arbítrio (os anjos e a humanidade) ele reagiu a todas as ações nas quais esses seres tomaram. Isso porque Deus existe antes de tudo ser criado. Para todas as ações desses seres pessoais Deus já teve uma reação pré-determinada. A maldade que os anjos e a humanidade produziram foi de responsabilidade deles e não de Deus. Podemos admitir que Deus permitiu o mal, porém jamais que ele pré-ordenou. Não se pré-ordena seres que tem vontade própria. Deus pré-ordena reações as suas ações. Caso contrário, anula-se totalmente a crença que os seres pessoais criados por Deus tiveram livre arbítrio. Como escreve Carlos Kleber sobre a Queda do homem: “Se o homem pecou porque Deus ordenou esta Queda, então não havia, de fato, liberdade da vontade humana...”. (5)

Então por que Deus deu livre arbítrio aos seres pessoais (anjos e homens)? Ou por que ele permitiu o mal? Sobre o livre arbítrio, Deus deu o livre arbítrio para que os seres pessoais (anjos e homens) pudessem ter uma relação sincera, verdadeira. Se fossem programados para se relacionar não seria um relacionamento verdadeiro. O amor e a adoração a Deus só seriam legítimas se esses seres tivessem livre escolha.

Sobre a permissão do mal, Deus permitiu para revelar a sua benignidade, misericórdia e amor. Deus revela que é capaz de transformar o mal em bem, que ama o ser humano e que tem misericórdia. Como Ele poderia manifestar sua misericórdia sem uma ofensa? Deus transforma o mal em bem através da salvação providenciada por meio de Jesus Cristo seu filho antes da fundação do mundo (Cf. At.2.22,23; 1Pe.1.19,20; Ap.13.8). Em meio a toda maldade, Deus expressa seu amor e conforto àqueles que crêem nele (Cf. Jo.16.33; Rm.8.32-39). Oferece o seu perdão (1Jo.1.9). Onde Jesus é o salvador e consolador (Cf. 1Jo.4.14; Jo.14.16,17). Trazendo alívio e esperança através de sua companhia (Cf. Mt.11.28), de uma morada no céu (Cf. Jo.14.1-3), na ressurreição dos mortos (Cf. 1Ts.4.16,17), na vida eterna (Cf. Jo.3.16) prometida com novos céus e uma nova terra (Cf. 2Pe.3.13) e o fim de todo mal (Cf. Ap.21.4). Exaltando a sua soberania, trazendo o seu juízo predeterminado sobre todos os que rejeitaram essa salvação e a condenação do diabo e seus anjos (Cf. Jo.5.24; Mc.16.15,16; 2Ts.1.7-9; Lc.12.8,9; Mt.25.41; Ap.20.10).

Deus criou o mal? Essa pergunta vem de alguns cristãos que na leitura de Isaías 45.7 se enrolam com o uso das palavras do profeta quando diz: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas”. Veja bem, o profeta diz que “formo a luz” em seguida diz “crio as trevas”. Percebeu que luz e trevas são antônimas? O mesmo ele faz no restante da frase quando diz “faço a paz” e depois ele diz “crio o mal”. Onde “mal” está sendo usado como metonímia* de “guerra” (que é o antônimo de paz). * Figura de linguagem baseada no uso... do efeito pela causa (6). Isso não quer dizer que Deus seja o autor ou criador das guerras, mas quando os homens em seus planos se propõem a guerra, Deus os entrega em seus próprios caminhos. A Bíblia diz: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.”. (Tg.1.13,14). Todos sabemos que as “trevas” não se cria, as trevas são ausência de luz. Mas, o referido texto diz “crio as trevas”. O mesmo ocorre no final da frase “crio o mal”. O mal (no caso a guerra) não se cria, o mal é ausência de Deus.Temos, portanto, o verbo "criar" como uma figura de linguagem, um paradoxo.

Deus é bom, a Bíblia está repleta de versos falando de sua bondade. A Bíblia diz: “Tu és bom e fazes o bem...” (Sl.119.68). Diz que Deus é amor: “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele”. (1Jo.4.16). Jamais deveríamos imaginar ou interpretar Isaías 45.7 como se Deus tivesse feito as coisas ruins. Não, Deus fez tudo bom e perfeito. O que houve foram escolhas erradas que foram tomadas pelos seres pessoais (anjos e homens) que ele criou que, conseqüentemente, trouxeram coisas ruins.

Se Deus sabia que o homem ia cair porque o criou? Se Deus não criasse o homem por causa de sua desobediência prevista ele jamais poderia manifestar sua graça, misericórdia, benignidade, amor e compaixão.

Se Deus sabia que o Diabo ia se rebelar junto com outros anjos contra ele e depois ia tentar o homem, porque o criou? Se Deus resolvesse não criar os anjos só por causa do Diabo como seria manifesto a fidelidade dos que permaneceram do lado dele? O homem não seria tentado e logo não seria manifesto a graça, a misericórdia, o amor e a compaixão divina.

A presença de Deus. Quando Deus está presente o mal foge como as trevas da luz. Onde Deus estar o mal tem que sair! Todavia, a humanidade tem excluído Deus de suas vidas. Por isso praticam o mal, por isso o mundo jaz no maligno. O mal só existe por causa disso: a falta da presença de Deus. Da companhia de Deus. O homem escolheu viver independente de Deus. Isso aconteceu desde o começo do mundo quando o primeiro casal desobedece a Deus, escolhem seguir os seus próprios caminhos. Porém, Jesus disse: “... Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. (Jo.14.23). Deus quer acabar com o mal ou com a “ausência” de sua presença. E ele quer começar com a sua presença na vida do ser humano. Imagine se toda a humanidade guardasse a palavra de Cristo e Deus viesse fazer morada em seus corações. O mal moral existiria? O inferno teria moradores humanos? O mal sobrenatural teria algum poder sobre este mundo? Restaria apenas o mal natural, que creio que Deus transformaria tudo novamente. Que é o que ele fará quando do céu se manifestar para dar fim ao mal.

A Bíblia diz: “... a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más”. (Jo.3.19b). Chegamos ao ponto chave de minha teodiceia: A presença de Deus. Os homens não querem a companhia de Deus. Seus mandamentos! Suas ordens! A humanidade prefere seguir seus próprios caminhos. E essa ausência do divino resulta no mal. Façamos todos como diz o salmista: “Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes”. (Sl.116.9).

CONCLUSÃO

Portanto, Deus existe e o mal existe. E a existência do mal não anula a existência de Deus e nem contradiz sua bondade, amor e onipotência. Deus tem poder de dar fim ao mal? Sim. Então porque ele não dar fim ao mal? Porque os corações rejeitam sua presença. O fim do mal é a presença de Deus. Mas, um dia ele virá e trará juízo sobre todos os que promovem o mal.

“Alegrem-se os céus, e a terra exulte; ruja o mar e a sua plenitude. Folgue o campo e tudo o que nele há; regozijem-se todas as árvores do bosque, na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, consoante a sua fidelidade”. (Sl.96.11-13).

Referências:
(1) Wikipédia, https://pt.wikipedia.org/wiki/Teodiceia
(2) Wikipédia, https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Wilhelm_Leibniz 
(3) Youtube, https://youtu.be/xuE-FW7hkGo 
(4) Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Editora Vida, p.74
(5) Depravação Total. Editora Reflexão, p.37
(6) Dicionário Aulete: http://www.aulete.com.br/metonímia 

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