quarta-feira, 7 de março de 2018

A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS É UMA SEITA?



Por incrível que pareça, enquanto a Igreja Mórmon (vamos assim resumir o título denominacional) chama de “apóstata” todo o movimento cristão fora do seu arraial, esta por sua vez torna-se de fato, por causa de alguns dos seus ensinamentos fora do arraial bíblico, cristológico, soteriológico e eclesiástico. Se não, vejamos: Toda seita adiciona algo a Palavra de Deus (a Bíblia), subtrai algo da pessoa de Jesus, multiplica por obras a obra da salvação e divide a fidelidade entre Deus e a organização. Baseado nessas quatro operações, a Igreja Mórmon possui forte confirmação:


Adicionam algo à Bíblia:

Bem na introdução do Livro de Mórmon, encontramos os dizeres: “O Livro de Mórmon é um volume de escrituras sagradas comparável à Bíblia. É um registro da comunicação de Deus com os antigos habitantes das Américas e contém a plenitude do evangelho eterno”. (1). Também encontramos em outra literatura da Igreja Mórmon: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita a Santa Bíblia como o principal de seus livros canônicos, o primeiro entre os livros que foram proclamados […] os Santos dos Últimos Dias professam o mesmo que as denominações cristãs em geral, porém se distinguem delas por também admitirem como autênticas e santas outras escrituras que concordam com a Bíblia e servem para apoiar e fazer ressaltar seus fatos e doutrinas”. (2). A Igreja Mórmon não tem por suficiente a Bíblia Sagrada, diz-se: “Tu, tolo, dirás: Uma Bíblia; temos uma Bíblia e não necessitamos mais de Bíblia! Teríeis obtido uma Bíblia, se não fosse pelas mãos dos judeus? […] Por que murmurais por ter que receber mais palavras minhas? […] meu trabalho ainda não está terminado, nem estará até o fim do homem, e desde então para sempre. Portanto, porque tendes uma Bíblia, não deveis supor que ela contém todas as minhas palavras; nem deveis supor que eu não fiz com que se escrevesse mais”. (3).

Subtraem algo da pessoa de Jesus:

O Jesus da Igreja Mórmon tem um parentesco espiritual com Lúcifer. Diz-se: “A posição de Cristo como Salvador do mundo é rejeitada por um dos outros filhos de Deus. Ele era chamado de Lúcifer… este espírito irmão de Jesus tentou inutilmente tornar-se o Salvador da humanidade”. (4). Encontramos esse pensamento facilmente no vídeo a saga do mormonismo (5).

O Jesus da Igreja Mórmon não foi gerado de modo espiritual, pelo poder do Espírito Santo, mas o próprio Pai fecundou Maria. Isto é, Jesus foi resultado do relacionamento sexual de Deus, o Pai, com a virgem Maria. Diz-se: “Quando a Virgem Maria concebeu o menino Jesus, o Pai o tinha gerado à sua própria semelhança. Jesus não foi gerado pelo Espírito Santo”. (6). Brigham Young declarou: “O nascimento do Salvador foi tão natural quanto o dos nossos filhos, foi resultado de uma ação natural. Ele participou da carne e sangue – e foi gerado por seu Pai, assim como nós somos gerados pelos nossos pais” (7). Bruce R. McConkie reiterou: “Cristo foi gerado pelo Pai Imortal do mesmo modo que os homens mortais são gerados por seus pais” (8). Tá bem claro no vídeo saga do mormonismo (5). Isso se compreende porque na Igreja Mórmon, Deus, o Pai, é um ser de carne e osso, e por isso fazem esse tipo de alteração na geração de Jesus. Diz-se: “O Pai possui um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo não possui corpo de carne e ossos, mas é um personagem de Espírito. Se assim não fora, o Espírito Santo não poderia habitar em nós”. (9).

O Jesus da Igreja Mórmon é um salvador insuficiente. Há na teologia mórmon um pensamento dual – no que Cristo fez e no que o mórmon tem que fazer. Diz-se: “Cremos que por meio do sacrifício Expiatório de Cristo, toda a humanidade pode ser salva por obediência às leis e ordenanças do Evangelho”. (10). Diz mais: “A expiação de Jesus Cristo é de natureza dual. Por causa dela, todos os homens são redimidos da morte mortal e da sepultura, e se levantarão na ressurreição para a imortalidade da alma. Então, novamente pela obediência às leis e ordenanças do Evangelho, o homem receberá remissão dos pecados individuais, através do sangue de Cristo, e herdará exaltação do reino de Deus, a qual é a vida eterna”. (11). Também ainda diz: “Porque trabalhamos diligentemente para as escrever, a fim de persuadir nossos filhos e nossos irmãos a acreditarem em Cristo e a se reconciliarem com Deus; pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer. E, não obstante, acreditamos em Cristo, guardamos a lei de Moisés e esperamos firmemente em Cristo, até que a lei seja cumprida”. (12). Fazendo aqui o fechamento: “Não há um homem ou mulher que quebre a aliança feita com Deus, que não seja requerido a pagar o preço. O sangue de Cristo nunca limpará; o seu próprio sangue terá que expiar por ele” (13).

O Jesus da Igreja Mórmon não lhe deve ser prestada “adoração” no verdadeiro sentido do termo. Bruce R. McConkie declarou: “Adoramos o Pai, unicamente ele e ninguém mais. Não adoramos o Filho e não adoramos o Espírito Santo. Sei perfeitamente o que dizem as Escrituras sobre adorar Cristo e Jeová, mas elas falam num sentido completamente diferente – no sentido de admiração e de reverente agradecimento àquele que nos redimiu. A adoração no verdadeiro sentido do termo fica reservada a Deus primeiro, o Criador”. (14).

O Jesus da Igreja Mórmon não era solteiro. Diz-se: “Jesus Cristo foi polígamo: Maria e Marta, as irmãs de Lázaro, eram suas esposas pluralistas, e Maria Madalena era outra. Também a festa nupcial de Caná da Galileia, onde Jesus transformou água em vinho, realizou-se por ocasião de um dos seus casamentos”. (15). Diz mais: “Jesus era o noivo nas bodas de Caná da Galileia”. (16). 

Multiplicam por obra a obra da salvação:

“Todos os que recebem a vida eterna e a salvação só o farão sob estas circunstâncias: crendo no Filho de Deus e obedecendo aos princípios que ele estabeleceu. Podemos imaginar qualquer outro meio e plano de salvação? Impossível […] Quando um homem ou mulher diz ter sacrificado algo em benefício da salvação que pretende alcançar, eis que não fala a verdade, pois nada tem para dar, nem nada pode fazer, exceto cumprir o que dele é requerido. Que dever é esse? O de aperfeiçoar aquilo que lhe foi confiado – provar-se digno diante do Pai e Deus, para que dentro em breve possa mostrar-se merecedor de receber coroas de glória, imortalidade e vida eterna […] Embora tenham o mesmo interesse como um povo, lembrai-vos entretanto, de que a salvação é um trabalho individual; cada um deve consegui-la por si mesmo […] A salvação é um trabalho individual. Só eu mesmo sou capaz de salvar-me. Quando a salvação me é apresentada, posso aceitá-la ou rejeitá-la”. (17).

Para a Igreja Mórmon, o batismo nas águas é salvífico. Onde tenho que me batizar para ser salvo. Diz-se: “Na verdade, na verdade vos digo que aqueles que não crerem nas vossas palavras, e em Meu nome não forem batizados na água, para a remissão de seus pecados, a fim de receberem o Espírito Santo, serão condenados, e não virão ao reino de Meu Pai, onde Meu Pai e Eu estamos”. (18). Dessa forma, torna-se necessário o batismo pelos mortos para a salvação daqueles que morrem sem conhecer o Evangelho. Diz-se: “Julgareis talvez esta ordem muito minuciosa; mas quero-vos dizer que é em resposta à vontade de Deus, e conforme a ordenança e preparação que o Senhor ordenou e preparou antes da fundação do mundo, para a salvação dos que morressem sem um conhecimento do evangelho […] Nisso há glória e honra, imortalidade e vida eterna – A ordenança do batismo pela água, o ser imerso nela à semelhança dos mortos, para que um princípio concorde com o outro; o ser imerso na água e o sair da água é semelhança da ressurreição dos mortos saindo de suas sepulturas; por isto, esta ordenança foi instituída para formar uma relação com o batismo pelos mortos, sendo à semelhança dos mortos”. (19). Portanto, segue: “E o que crer e for batizado será salvo, e o que não crer e não for batizado, será condenado”. (20). “As observações feitas sobre o assunto do batismo se aplicam com a mesma força à proposição de que o batismo é necessário para a salvação; pois como a remissão dos pecados constitui o objeto especial do batismo, e tendo em vista que não se poderá salvar no reino de Deus a alma que tenha pecados não remidos, claro é que o batismo é essencial para a salvação. Promete-se ao homem salvação baseada em sua obediência às leis e ordenanças do Evangelho; e o batismo, como as escrituras terminantemente o indicam, é um dos mais importantes desses requisitos”. (21).

Levando em conta tudo o que já citei sobre o Jesus da Igreja Mórmon não ser um salvador suficiente, definitivamente o mormonismo prega a salvação pelas obras.

Dividem a fidelidade entre Deus e a organização:

“Salvação completa é obtida pelo poder do conhecimento, verdade, justiça e de todos os verdadeiros princípios. Muitas condições devem existir para fazer com que tal salvação seja disponível aos homens […] Sem Joseph Smith e a restauração, não haveria salvação. Não há salvação fora da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. (22).

“Isto foi o que o Senhor fez ao restaurar a sua Igreja à terra através da instrumentalidade do Profeta Joseph Smith”. (23) E, obviamente, o fundador da Igreja Mórmon, quando teve suas visões, foi orientado por Deus a não se unir a nenhuma denominação cristã, sob a constatação de que apostataram da fé. Confira:

“Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-o! Meu objetivo ao dirigir-me ao Senhor era saber qual de todas as seitas estava certa, a fim de saber a qual me unir. Portanto, tão logo me controlei o suficiente para poder falar, perguntei aos Personagens que estavam na luz acima de mim qual de todas as seitas estava certa (pois até aquele momento jamais me ocorrera que todas estivessem erradas) e a qual me unir. Foi-me respondido que não me unisse a qualquer delas, pois estavam todas erradas; e o Personagem que se dirigia a mim disse que todos os seus credos eram uma abominação a sua vista; que aqueles religiosos eram todos corruptos; que ‘eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim; ensinam como doutrina os mandamentos de homens, tendo aparência de religiosidade, mas negam o seu poder’. Novamente me proibiu de unir-me a qualquer delas; e muitas outras coisas disse-me, as quais não posso, no momento, escrever. Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu. Quando a luz se retirou, eu estava sem forças; mas tendo logo me recuperado em parte, fui para casa”. (24).

Logo, pode-se concluir que A Igreja de Jesus dos Santos dos Últimos Dias (a Igreja Mórmon, onde o “A” é proposital para mostrar ser a verdadeira) se propõe dividir a fidelidade entre Deus e sua instituição religiosa. Depreciando todas as demais denominações cristãs que, inclusive, no relato de sua visão, Joseph Smith faz questão de mencionar na conversa com sua mãe uma mensagem desqualificando a Igreja Presbiteriana quando ela lhe encontrou depois desta suposta visão que teve de Deus relatando:

“Ao apoiar-me na lareira, minha mãe perguntou-me o que se passava. Respondi: ‘Não se preocupe, tudo está bem—eu estou bem’. Então disse a ela: ‘Aprendi por mim mesmo que o presbiterianismo não é verdadeiro”. (24).

CONCLUSÃO

Todo cristão autêntico sabe que só a Bíblia é a Palavra de Deus (Pv.30.5,6). E que ela é viva e eficaz (Hb.4.12). Que o apóstolo Paulo foi bem claro ao dizer: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gálatas 1.8 ARA). O Livro de Mórmon tem em sua capa o subtítulo: “Um outro Testamento de Jesus Cristo”. Um claro flagrante de anátema.

Todo cristão autêntico sabe que a Igreja de Jesus Cristo não é uma denominação ou instituição religiosa. Logo, a Igreja Mórmon é um ministério questionável. Basta ver os questionamentos levantados aqui pelo Blog Anti-Heresias (25). E que Joseph Smith é um falso profeta. Fato constatado aqui pelo blog (26).

Todo cristão autêntico sabe que só Jesus Cristo é o caminho para salvação (Jo.14.6; At.4.12), e sabe que a igreja de Cristo está acima de uma mera denominação. A sua missão (Mt.28.19,20), o seu papel (Mt.5.13), sua perseverança (Jo.8.31) e a sua identidade (Jo.13.35), estão acima de uma denominação. De nada vai adiantar, ser uma denominação intitulada de “cristã” se não cumprir estas coisas.

NOTAS:

(1) Livro de Mórmon. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 1981.
(2) Regras de Fé. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. P. 220. 1983.
(3) Livro de Mórmon. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. P.132,133. 1981. 2Nefi 26.6,8-10.
(4) The Gospel Throught the Ages, edição 1945. P.15.
(6) Journal of Discourses, Vol.1, april 9,1852. P.50, Brigham Young – Were does it say that?, edição 1982, Bob White.
(7)  Journal of Discourses, Vol.8, edição 1860. P.115, Brigham Young – Were does it sap that?, edição 1982, p.4-4, Bob Witte.
(8) Mormon Doctrine, edição 1979. P.547. Editora Bookcraft, Bruce R. McConkie.
(9) Doutrina e Convênios. Seção 130.22. P.282. Joseph Smith. Centro Editorial Brasileiro. 1983.
(10) Regras de Fé. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. P.11. 1983.
(11) Doutrinas da Salvação. Vol.1, edição 1994. P.134. Joseph Smith.
(12) O Livro de Mórmon. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. P.121. 2Nefi 25.23,24. 1981.
(13) JD, Brigham Young, Vol.3, P.247.
(14) Brigham Young University address, 2 de março de 1982, Vinde a Cristo, edição 1984. P.43.
(15) Brigham Young, Wife número 19, 384.
(16) JD, Orson Hyde, Vol.2. P.82.
(17) Jornal de Discursos de Brigham Young. P.223, 224, 391.
(18) Doutrina e Convênios. Seção 84.74. P.161. Joseph Smith. Centro Editorial Brasileiro. 1983.
(19) Doutrina e Convênios. Seção 128.5,12. P.274, 276. Joseph Smith. Centro Editorial Brasileiro. 1967.
(20) Doutrina e Convênios. Seção 112.29. P.243. Joseph Smith. Centro Editorial Brasileiro. 1983.
(21) Regras de Fé. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. P.123. 1983.
(22) Mormon Doctrine, P.670.
(23) Uma Obra Maravilhosa e um Assombro. Edição 1966. P.26. LeGrand Richards. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
(24) Pérola de Grande Valor. P.738, 739. Joseph Smith – História. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Obras consultadas:

Série Apologética. Vol. 5. Instituto Cristão de Pesquisas. Mormonismo, P.116-221. 2002.
Desmascarando as Seitas. Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro. Editora CPAD. 1996.
Seitas e Heresias. Raimundo F. De Oliveira. Editora CPAD. 1997.
Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. George A. Mather e Larry A. Nichols. Editora Vida. 2000.
O Livro de Mórmon. Editora Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 1981.
Doutrina e Convênios. Centro Editorial Brasileiro. 1967.
Regras de Fé. Talmage. Editora Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 1983.
O Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios, Pérola de Grande Valor. Editorial Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ebook 2001.


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