quinta-feira, 19 de maio de 2011

WEB NOTÍCIA - Ricardo Gondim em Questão (Atualização 02.08.16)


Pastor presidente nacional da Igreja Betesda afirma ser a favor da união civil gay e que a volta de Jesus é utópica:

Trecho da declaração polêmica: 

O senhor é a favor da união civil entre homossexuais? Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade”. 

Fonte: Carta Capital


Essa notícia gerou a saída de Ricardo Gondim da revista ULTIMATO: 

Texto de despedida:

"Despeço-me da Revista Ultimato. Após quase vinte anos, fui convidado a “des-continuar” minha coluna na revista Ultimato. Nesta semana, recebi a visita de Elben Lenz Cesar, Marcos Bomtempo e Klênia Fassoni em meu escritório, que me deram a notícia de que não mais escreverei para a Ultimato. Nessa tarde, encerrou-se um relacionamento que, ao longo de todos esses anos, me estimulou a dividir o coração com os leitores desta boa revista. Cada texto que redigi nasceu de minhas entranhas apaixonadas. 

Fui devidamente alertado pelo rev. Elben de que meus posicionamentos expostos para a revista Carta Capital trariam ainda maior tensão para a Ultimato. Respeito o corpo editorial da Ultimato por não se sentir confortável com a minha posição sobre os direitos civis dos homossexuais. Todavia, reafirmo minhas palavras: em um estado laico, a lei não pode marginalizar, excluir ou distinguir como devassos, promíscuos ou pecadores, homens e mulheres que se declaram homoafetivos e buscam constituir relacionamentos estáveis. Minhas convicções teológicas ou pessoais não podem intervir no ordenamento das leis.

O reverendo Elben Lenz Cesar, por quem tenho a maior estima, profundo respeito e eterna gratidão, acrescentou que discordava também sobre minha afirmação ao jornalista de que “Deus não está no controle”. Ressalto, jamais escondi minha fé no Deus que é amor e nos corolários que faço: amor e controle se contradizem. De fato, nunca aceitei a doutrina da providência como explicitada pelo calvinismo e não consigo encaixar no decreto divino: Auschwitz, Ruanda ou Realengo. Não há espaço em minhas reflexões para uma “vontade permissiva” de Deus que torne necessário o orgasmo do pedófilo ou a crueldade genocida.

Por último, a Klênia Fassoni advertiu-me de que meus Tweets, somados a outros textos que postei em meu site, deixam a ideia de que sou tempestivo e inconsequente no que comunico. Falou que a minha resposta à Carta Capital sobre a condição das igrejas na Europa passa a sensação de que sou “humanista”. Sobre meu “humanismo”, sequer desejo reagir. Acolho, porém, a recomendação da Klênia sobre minha inconsequência. Peço perdão a todos os que me leram ao longo dos anos. Quaisquer desvarios e irresponsabilidades que tenham brotado de minha pena não foram intencionais. Meu único desejo ao escrever, repito, foi enriquecer, exortar e desafiar possíveis leitores.

Resta-me agradecer à revista Ultimato por todos os anos em que caminhamos juntos. Um pedaço de minha história está amputada. Mas a própria Bíblia avisa que há tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Meu amor e meu respeito pela família do rev. Elben, que compõe o corpo editorial da Ultimato, não diminuíram em nada.


Continuarei a escrever em outros veículos e a pastorear minha igreja com a mesma paixão que me motivou há 34 anos".


Ricardo Gondim é citado no jornal cearense que traz a notícia: "Uma Nova Inquisição - Pastor evangélico defende uniões homoafetivas alegando que 'Jesus o faria', sofre retaliações e é ameaçado". 

Publicação do jornal:

POLÊMICA

“Não levanto a bandeira homossexual. Ela não é minha, eu não sou homossexual. Levando o estandarte do direito. Ele diz respeito não só aos homossexuais, mas aos religiosos, aos ateus, aos ciganos, aos deficientes. Quando a lei protege um segmento da sociedade, acaba por alcançar os que não fazem parte daquele segmento. Por que insisto em fazê-lo? Porque acredito que Jesus, o meu senhor e salvador, o faria”.

O trecho acima integra a Carta Aberta que o pastor Ricardo Gondim, presidente nacional da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista, publicou em seu site (www.ricardogondim.com.br) na última quarta-feira, dia 25. O motivo do pronunciamento do líder religioso foi a onda de ataques virtuais e reais que passou a receber depois que defendeu, em entrevista à revista Carta Capital, as uniões homoafetivas. Por conta desta declaração, Gondim foi “desconvidado” a continuar escrevendo para publicação evangélica Ultimato, onde figurava como colaborador há 20 anos.

“Respeito o corpo editorial da Ultimato por não se sentir confortável com a minha posição sobre os direitos civis dos homossexuais. Todavia, reafirmo minhas palavras: em um estado laico, a lei não pode marginalizar, excluir ou distinguir como devassos, promíscuos ou pecadores, homens e mulheres que se declaram homoafetivos e buscam constituir relacionamentos estáveis. Minhas convicções teológicas ou pessoais não podem intervir no ordenamento das leis”, comentou, também no site, a respeito do afastamento.

A “punição” da revista não foi suficiente para conter a sanha fundamentalista. “Um evangélico chegou a dizer, pelo Twitter, que se pudesse arrancaria a minha cabeça. É como se vivêssemos nos tempos da Inquisição. Recebi inúmeros emails com ofensas e mensagens de ódio. Também surgiram centenas de textos me satanizando em blogs e redes sociais”, revelou Gondim, em nova entrevista à Carta Capital. 

Com lucidez e coerência raras entre seus pares, o pastor segue impávido em suas convicções humanitárias. “’Por que o risco de posicionar-me no que só traz prejuízo pessoal? Por que deixar as costas à mercê de quem maneja bem os punhais?’. Respondo ao velhote que mira os meus olhos de dentro do espelho: ‘Faço o que faço pelo simples fato de querer ser coerente e honesto comigo mesmo e com Deus, que ergueu um tabernáculo em meu coração”’.

E ainda completa, na mesma Carta. “Por que falar em direitos civis de homossexuais? Pelo simples fato lembrar-me de Niemöller, o pastor luterano que bem expressou a passividade de sua geração quando a justiça foi pisoteada pelos nazistas: ‘Quando vieram atrás dos judeus, calei-me, pois não era um deles; quando vieram prender os comunistas, silenciei, eis que não era comunista; quando vieram em busca dos sindicalistas, calei-me, pois eu não era sindicalista; depois, vieram me prender, não havia mais ninguém para protestar e ninguém disse nada’”.

Meu caro Pastor Gondim, há muito tempo não se tem conhecimento de um líder religioso de seu valor e porte por estas terras. Que seja profícua a sua fala e que ela consiga tocar muitos corações e mentes.


Fonte: Jornal O Povo

E isso custou na saída de mais alguns pastores da Igreja Betesda. Veja o texto de despedida um ex-pastor da Betesda:

"Percebendo tamanho da repercussão com relação ao meu desligamento da Betesda, decidi romper o silêncio. Não sou neófito ou irresponsável. Sou pastor de uma comunidade punjante, bonita, leve e com características únicas, como qualquer comunidade cristã nordestina, que luta pela própria sobrevivência e pretende levar a sério seu amor a Jesus, o Nazareno e à sua mensagem da Cruz.

Estive, há 24 anos na igreja Betesda. Fui, durante seus momentos mais difíceis, um de seus principais elaboradores, mantenedores emocionais, um ferrenho lutador. Em todos esses anos, sob a tutela de Allison Ambrósio, que me ensinou a ser líder. Amei, trabalhei, orei e me empenhei por essas comunidades com afinco por muitos anos. Formei líderes, cuidei de novos membros e tenho tido meus melhores amigos ligados à Betesda. Tenho autoridade para falar da Betesda em todos os seus segmentos. Conheço a fundo sua estrutura e seus bastidores mais discretos. Eu conheço essa igreja como a palma de minha mão. E, infelizmente, hoje, eu a percebo tão cruel quanto qualquer instituição religiosa. Pensamentos novos em práticas antigas.

Procurarei não ser ofensivo em minhas próximas palavras, diferentemente do que tem acontecido contra mim. Isso me admira muito, visto que a idéia da tolerância, da compreensão e da graça, sempre foram alardeadamente pregada nos ambientes da Betesda. Uma igreja não é constituída, ela é formada, estabelece-se, desenvolve-se e vai assumindo características que a identificam e a solidificam no decorrer dos anos. Assim, a Betesda, minha amada igreja, também tem mudado. Tem adquirido características institucionais e de pensamento, que, a princípio, apenas demonstravam sua pluralidade. Com o passar dos anos, não havia mais pensamentos plurais, mais opostos. Mas percebo, que, o que começou a se desenvolver, foi um grupo de pessoas confusas, teológica e institucionalmente. Agi como podia. Mas as questões levantadas, as palestras ministradas, sempre desconstruíam, mas tinham uma proposta construtiva incipiente.

Com a morte do Pastor Allison, mesmo sem perceber, comecei a perder o afinco e o amor que tinha pela instituição. Mesmo assim, tentei segurar os fios que ligavam sua frágil estrutura, inclusive, mentoreando novas lideranças. No entanto, ano passado, em conversa com um dos principais pastores da Betesda, eu o ouvi falar de uma reflexão que estava sendo feita sobre a questão homossexual, que, deveria ser considerada pela igreja, normal. Inclusive, disse ele estar disposto a aconselhar casais homossexuais em sua comunidade, como se foram héteros, com a restrição de não serem promíscuos. A partir daí, passei a ter uma série de conversas com a liderança cearense da Betesda, com quem questionei esses e outros pressupostos, contidos no consciente coletivo da igreja, como a volta de Jesus, a ressurreição e outras questões que considero irrefutáveis.

Quando essas questões, durante esse ano, começaram a ser expostas no youtube e em revista de circulação nacional, novamente me posicionei. Percebi, então, que estávamos completamente divididos dentro da própria instituição. Falávamos ser uma comunidade de pensamento polifônico, mas, na verdade, tornamo-nos um ajuntamento destoante de instrumentistas. Nossos púlpitos e nossas conversas nos encontros são incongruentes. Parece haver diálogo. Mas, na verdade, o que existe é um grupo que elabora questões elevadas, um outro que finge que concorda, outro que finge que entende e a igreja perdida, sem referenciais. Todos os limites entre estes grupos começaram a se confundir, mudando a imagem pública da Betesda, que não sabe se é ou não evangélica. Quem discorda dos pensamentos elaborados, ou não entendeu ou é fundamentalista. Rótulos e jargões,são detestados mas apenas criaram-se novos, de acordo com novos pressupostos.

Eu decidi sair em silêncio, não por ser dissimulado, maquiavélico, traidor. Eu conheço o meu significado para a Betesda e sabia que traria uma grande repercussão. Tentei preservar os que são ligados a mim do rótulo de conspiradores. Tentei preservar minha comunidade de reuniões intermináveis. Ela cobrava de mim uma posição a tempos. E, obviamente, precisei fazer isso com o mínimo de planejamento. Eu o faria com mais calma. Tive que acelerar o processo, por causa da notícia, que me chegara, de que oito pastores estavam querendo se organizar para algum tipo de decisão. Por isso, quase imediatamente, quis sair. Não queria ser envolvido em nenhum racha. Quanto à minha comunidade já ter um nome, isso não foi planejado exaustivamente. Não queríamos ser conhecidos como dissidentes. Queríamos ir em direção à nossa própria identidade. Em um dia, concordamos com o nome: Comunidade de Cristo Maranata. Peço perdão aos que me amam. Mas tomei essas decisões para sua preservação.

A minha saída é a minha última mensagem para a Betesda. Gostaria que ela tivesse re-avaliado suas posturas, sua repercussão pública com mais respeito a quem pensa diferente. O futuro da Betesda não será a polifonia, será a solidão. Se, não houver uma profunda reformulação de pensamento e jornada. Não gostaria de ser procurado. Minha maior atitude e sinal de coerência é minha partida, com os meus.

Em paz, mas em jornadas diferentes".


EDNEY MELO

Fonte: aqui 

Outro fator influente nisso foi um vídeo postado no Youtube onde consta o pastor Ricardo Gondim em uma palestra para pastores da Betesda ensinando-lhes que a volta de Cristo é utópica. O link do vídeo está aqui porém foi removido ou censurado. Ninguém sabe ao certo o que houve. O que existe apenas são os noticiários e comentários do referido vídeo publicados na internet: no Gospel Prime no site da Igreja Batista Esperança no site Gospel Mais no Blog do Ciro no Blog de Renato Vargens no site Genizah no Jota7 no Blog do Pastor Guedes no site da Primeira Igreja Virtual no Blog Bereianos etc. Temos apenas um fragmento do vídeo tão comentado ainda disponível em teor refutativo aqui 

EM RESPOSTA: Num vídeo, Ricardo Gondim, fez suas defesas, num artigo escreveu O que penso sobre a volta de Jesus não citou as frases polêmicas constadas no vídeo que foi removido do youtube, mas deu o seu parecer sobre o assunto. E no site Gospel Prime sua instituição pediu direito de resposta sobre a saída do referido pastor da denominação que era pertencente.

Recentemente Ricardo Gondim escreveu: Aos homoafetivos, o ombro de Deus

Neste novo texto, sob a bandeira gay, ressuscita o rompimento de ex-pastores de sua denominação com muita mágoa ainda, que saíram por seus posicionamentos inclinados a "Teologia Relacional" (Teísmo Aberto) e aos posicionamentos que atualmente assume. Se você não sabe leia seus textos escritos sobre o assunto: Uma Proposta de Credo  Quem Deus Ouviu Primeiro?  A Teologia Relacional e A Onisciência Divina relembre a discussão toda, noticiada em um blog de ex-membro de sua denominação intitulado de Heresias na Betesda

Conclusão

Ricardo Gondim é atualmente um teólogo de linha liberal e essas reflexões e dissertações são comuns nos que trilham por esta teologia. Não que eu concorde com esta teologia. Mas, creio que o grande problema de tudo o que ele diz e escreve trás alvoroço porque ele era teólogo de linha ortodoxa, de teologia clássica e abandonou. Levando a muitos de seus antigos admiradores ao desafeto e deixaram de lhe seguir. Os que o conhecem a pouco tempo já não tem este problema. O conselho que dou para estes antigos admiradores é que olhem para Jesus. Ele nunca mudou. É o mesmo e sempre será (Hb.13.8).

Soli Deo gloria


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