terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A DIFERENÇA DA GUARDA DO SÁBADO JUDEU PARA GUARDA DO SÁBADO ADVENTISTA


Aparentemente pensamos que a guarda do sábado judeu e adventista trata-se da mesma coisa. Entretanto, existe uma diferença relevante entre ambos os lados e é preciso ser exposto aqui para que as pessoas venham conhecer. Olhando rapidamente não percebemos nenhuma diferença, mas quando entramos nos alicerces onde se fundamenta tais observâncias, veremos que não são idênticas. Vejamos a seguir:

A guarda do sábado Judeu.
Os judeus guardam o sábado por causa de uma aliança que Deus fez com eles conforme registra no Tanakh: “E os filhos de Israel guardarão o Shabat, para fazer do Shabat uma aliança perpétua por suas gerações. Ele é um sinal entre Mim e os filhos de Israel para sempre, de que em 6 dias o Eterno fez os céus e a terra, e no 7º dia folgou e descansou”. (Êx.31.16,17 BH/PT). Os judeus têm o sábado como sinal da aliança que o Eterno fez com eles. Um memorial de que Deus os livrou das mãos dos egípcios: “E lembrarás que servo foste na terra do Egito, e que o Eterno, teu Deus, te tirou de lá com mão forte e com braço estendido; portanto o Eterno, teu Deus, te ordenou para fazer o dia de Shabat”. (Dt.5.15 BH/PT). E assim, eles criaram um calendário semanal baseado nos dias da criação, conforme relata o v.17 que são: Rishon, Sheni, Shlishi, Revii, Chamishi, Shishi e Shabat. Talvez alguém questione: E matar, roubar, adulterar, cobiçar, idolatrar, dar falso testemunho, tomar o nome de Deus em vão, adorar outros deuses, fazer imagem de escultura, são mandamentos só pra Israel? Óbvio que não, pois esses mandamentos não têm a especificação como faz na questão do sábado (ver Ec.12.13 ARA). Outros dizem: mas, Deus descansou no sétimo dia, assim deveria toda a humanidade fazer o mesmo. Porém, quando Deus diz isso para Israel, ele está fazendo uma comparação, que assim como ele trabalhou em seis dias para criar o mundo e descansou no sétimo, o mesmo deveria fazer o povo de Israel. E ainda outros insistem que o sábado é mandamento desde a criação baseando-se em Gênesis 2.2,3. Todavia, esse referido texto não contém uma ordenança de se guardar o sábado, o que tem é apenas uma narrativa do encerramento da criação. Que, aliás, é bom dizer aqui que esse “dia” após a criação não se trata de um dia literal. A princípio, por ter Deus encerrado a criação o seu descanso ou o cessar de suas obras não poderia se resumir a um mero dia de 24 horas, mas a eternidade, pois Deus é eterno. Em segundo lugar, podemos observar que em todos os dias da criação consta a contagem de “tarde e manhã, dia x” (ver Gn.1.5, 8, 13, 19, 23, 31 ARA), porém o sétimo dia não consta contagem alguma. Enfim, o 7º “dia” de descanso de Deus é eterno.

No judaísmo, a palavra sábado (שַׁבָּת, pronunciado "Shabāt") tem como tradução "descanso", "cessação," ou "interrupção" (1). Então, esse dia ocorre no sétimo dia do calendário semanal deles. Percebemos que a essência do 4º mandamento não é o dia da semana denominado “sábado”, mas que no 7º dia ocorra o “descanso”, “cessação” ou “interrupção”. Não é o nome do calendário, mas o 7º dia, onde os judeus colocam como “shabat” com o seu respectivo significado. No calendário semanal judaico o shabat ocorre exatamente no sétimo dia sem qualquer disparidade (2), como vimos acima. Um dos problemas relacionados ao tema é que a palavra hebraica “shabat” tornou-se aportuguesada em “sábado” (3) e as traduções das Bíblias cristãs para o português fazem o mesmo, ao invés de traduzida para "descanso" (como ocorre em Gn.2.2,3) deveria ser aplicada ao 7º dia depois de seis dias de trabalho. Outro problema foi que a palavra shabat foi introduzida no calendário semanal romano por Constantino. Na Wikipédia diz: “Durante a Reforma do Calendário Romano sob Constantino I - substituiu-se o nome de Dies Saturni que significa "Dia de Saturno" - forma como os pagãos se referiam ao sábado - para Sabatum [sábado em latim] introduzindo devido à influência cristã o dia de Sábado no calendário ocidental” (4). Depois o mesmo Constantino coloca o “Solis dies” (dia do Sol), que era o primeiro dia da semana, como dia de descanso em 321 d.C., unindo o desejo dos cristãos da época pelo primeiro dia da semana ser um dia de descanso e adoração (5) à sua devoção pessoal ao culto do Sol Invicto (6). Que posteriormente, no Concílio de Nicéia, em 325 d.C., mudou-se o nome “Solis dies” para “Dominica dies” que em português quer dizer “dia do Senhor”, tendo evoluído para domingo. (4). De fato Constantino não era cristão, ele na verdade buscava um equilíbrio entre o paganismo romano e o cristianismo. Na Wikipédia cita: “A Enciclopédia Católica afirma: ‘Constantino favoreceu de modo igual ambas as religiões. Como sumo pontífice ele velou pela adoração pagã e protegeu seus direitos’. E a Enciclopédia Hídria observa: ‘Constantino nunca se tornou cristão’”. (6). O que devemos levar em consideração aqui é o que mencionamos no começo: o sábado é uma aliança feita entre Deus e Israel. Onde os não judeus têm qualquer vínculo, a não ser que queiram ser judeus, ou se cristãos, queiram retroceder ao judaísmo. Aí já é uma questão de escolha e não de mandamento.

O sábado judeu faz parte dos dez mandamentos que o Eterno deu a eles para observarem (ver Êx.20.3-17 ARA) juntamente com todo o restante da Lei, que é a Torá. Primeira parte da composição dos grupos de livros da Tanakh (a Bíblia hebraica), donde também tem Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos). Jesus fez algumas menções a esta composição da Tanakh. Ele disse certa vez: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. (Mt.5.17 ARA). Aqui Jesus menciona duas partes da Tanakh: Torá (Lei) e Neviim (Profetas). E outra ocasião ele disse: “... importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. (Lc.24.44b ARA). Aqui ele menciona a Tanakh completa: Torá (Lei), Neviim (Profetas) e Tehilim (Salmos), por ser o primeiro livro do Ketuvim (Escritos), era costume da época Tehilim ser citado como representante desta 3ª composição da Tanakh.

Para os judeus, a Lei moral não é apenas os dez mandamentos, mas tudo aquilo que Deus tem como pecado, como declaração de compromisso a ele, como ato imoral. Exemplo, consta na Torá (Lei) no livro de Levítico 18 nos verso 5-26 toda uma série de ordenanças de natureza moral onde o Eterno condena. Dentre eles podemos citar: “E com a mulher do teu companheiro não te deitarás para dar sêmen, para impurificar-te com ela” (v.20 BH/PT), “E com homem não te deitarás como se fosse mulher; é uma abominação” (v.22 BH/PT) e “E com qualquer animal não te deitarás para impurificar-te com ele; é uma perversão”. (v.23 BH/PT). Outro exemplo, consta na Torá (Lei) no livro de Deuteronômio diz: “Amarás ao Eterno, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas posses” (Dt. 6.5 BH/PT). E consta também: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”. (Lv.19.18 ARA). Dois textos citados por Jesus quando foi interrogado por um doutor da Lei sobre qual era o grande mandamento da Lei (ver Mt.22.35-40 ACF) cujos não constam no decálogo, mas constam na Lei. Uma prova evidente de que não havia qualquer divisão da Lei em decálogo (os dez mandamentos) e o restante das leis. Caso houvesse, Jesus seria corrigido pelo doutor da Lei.

No judaísmo a Lei é vista como um todo. Não difere os dez mandamentos do restante das leis. Como se explica um site judaico: “Quando se menciona Assêret Hadibrot, mais comumente conhecida como os Dez Mandamentos, algumas pessoas possuem uma falsa impressão de que existem Dez Mandamentos que foram separados como sendo os mais importantes da Torá. Mas na verdade a tradução correta de Assêret Hadibrot é "Dez Falas" ou "Dez Ditos", sendo que estes são dez princípios que incluem toda a Torá e seus 613 preceitos, inclusive estes dez. [...] É interessante notar que a soma dos números 6, 1 e 3, de 613 totaliza dez (Mandamentos), mostrando também que as 613 mitsvot incluem os Dez Mandamentos” (7). Como se explana melhor na Wikipédia: “Segundo os Judeus hebreus, a Lei de Deus dada e promulgada sobre o monte Sinai através de Moisés é Una, Eterna e Imutável. Constitui-se na expressão perfeita e invariável da vontade de Deus. Os "Dez Mandamentos" são a síntese da Torá. Os Dez Mandamentos escritos em hebraico possuem 613 letras. Cada letra simboliza uma das 613 mitzov (mandamentos) que compõe a Lei de Deus em sua plenitude. A Lei de Deus é invariável e Eterna devido a sua origem Divina. A Lei é para todos os tempos e se constitui no elemento através do qual Deus governa o povo de Israel servindo como elemento distintivo entre os hebreus e outros povos (gentios)”. (8). Enfim, a guarda do sábado no judaísmo é só um dentre os 613 mandamentos que devem ser observados. Alguns chegam a pensar que a Lei de Deus são os dez mandamentos e a Lei de Moisés os demais preceitos. Isso é um equívoco. Se você ler Neemias 8.1,3,8,14 ARA a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés. Vejamos algumas partes: “... e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés [...] e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei [...] Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações [...] Acharam escrito na Lei que o SENHOR ordenara por intermédio de Moisés [...] Dia após dia, leu Esdras no Livro da Lei de Deus...”. Em Josué 8.32 ARA encontramos os dez mandamentos serem chamados de Lei de Moisés. Confira: “Escreveu, ali, em pedras, uma cópia da lei de Moisés, que já este havia escrito diante dos filhos de Israel”. Como declara o apologista Natanael Rinaldi: “A expressão Lei de Deus e Lei de Moisés são expressões sinônimas e não se trata de Leis distintas [...] tanto os dez mandamentos como os livros de Moisés foram dados por um só Legislador – Deus [ver Is.33.2 ARA], por meio de Moisés. É de Deus pois foi dado por Ele e é de Moisés porque foi dada por intermédio de Moisés”. (9)

A relação do sábado com a salvação do judeu não tem muito significado, pois a maneira do judeu pensar sobre “salvação” é muito diferente da visão cristã. No livro Entendendo as Religiões não Cristãs comenta: “O judaísmo não tem qualquer conceito de pecado original [...] enfatiza a virtude e a retidão originais [...] não há senso de que o homem é totalmente depravado e indigno [...] a expiação pelo pecado é obtida por meio da retidão pessoal, o que inclui o arrependimento, orações e boas obras. Não há necessidade de um Salvador...". (10). Num site judeu, o texto postado por Sha’ul Bensiyon, trás uma resposta judaica sobre a pergunta “Como é a Salvação no Judaísmo?”, e vou relatar aqui algumas observações interessantes: “... Conceitos Diferentes. Imagine que uma pessoa que joga futebol entra numa quadra de vôlei pela primeira vez na vida, e logo se vira para um jogador e pergunta: Como vocês fazem gol, no vôlei? O jogador de vôlei teria, primeiramente, que esclarecer que há um problema conceitual na própria pergunta, porque não existe gol no vôlei. Somente depois de esclarecido isso, ele poderia então explicar como se ganha uma partida. O problema com a pergunta sobre salvação no Judaísmo é análogo ao exemplo ilustrativo acima. Ao ser indagado sobre como ser salvo, um judeu invariavelmente responderia: Salvo de quê? Isso porque o conceito de salvação espiritual, no Judaísmo, simplesmente não existe [...] para o Judaísmo, o processo é mais simples. Não há a necessidade de um intermediário, ou de um sacrifício expiatório para que a humanidade obtenha o perdão [...] ‘em ADONAY será justificada, e se gloriará toda a descendência de Israel’. (Yeshayahu/Isaías 45.25) [...] o perdão do pecado não depende do derramamento de sangue, nem de algum rito expiatório específico. O rito é meramente uma expressão exterior do arrependimento daquele que o pratica [...] sendo assim, como alcançar a promessa do mundo vindouro? Arrependendo-se de suas transgressões, e buscando viver uma vida íntegra perante o Criador dos céus e da terra, que é também o Supremo Juiz de todas as coisas. Ao fazermos isso, Ele nos perdoa, e nos considera como herdeiros da vida. Isso vale não apenas para a vida imediata, e suas bênçãos, como também para o mundo vindouro”. (11). Ou seja, o judeu já se vê justificado só pelo fato de ser descendente de Abraão. O resto vem pelo arrependimento, orações e boas obras.

A guarda do sábado Adventista.
Para os adventistas o sábado é o selo de Deus conforme relata o livro de Apocalipse (9.4) e o domingo é o falso sábado, a marca da besta que fala o mesmo livro (Ap.19.20). Ellen G. White confirma isso quando escreve: “O sábado, a grande prova da lealdade, é o ponto da verdade especialmente controvertido. Ao passo que a observância do falso sábado será uma declaração de fidelidade ao poder que se opõe a Deus, a guarda do verdadeiro sábado será uma prova de lealdade ao Criador. Ao passo que uma classe recebe a marca da besta, a outra recebe o selo de Deus [...] Que é, pois, a mudança do sábado, senão o sinal da autoridade da igreja de Roma – ‘a marca da besta?’” (12). Isso difere em muito do pensamento judeu. Uma vez que eles não reconhecem o livro de Apocalipse como parte do seu cânon. E também que Ellen G Withe se distancia muito de uma exegese autêntica do referido livro tão difícil de interpretação. Aqui vamos entrar em muitas correntes teológicas da escatologia que não vem ao caso discutirmos neste texto. Mas, deixando uma pequena ajuda aos leitores, as pessoas que são seladas na fronte são israelitas e não adventistas (ver Ap.7.3,4). E o selo não é o sábado, isso não passa de conjecturas e não de uma exegese do texto. E a igreja de Roma só veio a existir oficialmente como “religião do Estado” em 380 d.C., por Teodósio I (13) Enquanto que inclusão do sábado e a observância do domingo no calendário semanal romano vieram a ocorrer bem antes disso. Como já vimos acima. 

Os adventistas guardam o sábado porque, segundo eles: “Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna”. (E. G. White; Testemunhos Seletos, vol. III; Ed. Casa Publicadora Brasileira; Tatuí – SP; 1956, p.22). (14). Essa declaração deixa qualquer evangélico perplexo. E leva-nos a pergunta: para os adventistas, a salvação não se alcança somente pela graça, mas pela a observância dos 10 mandamentos? Principalmente do 4º? Que, como vimos acima, no sábado judeu, é uma aliança clara entre Deus e Israel. Porém, segundo a visão de Ellen G. White não, e ela diz: “Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no Céu, e foi vista a arca da aliança no seu santuário’. Apocalipse 11.19. A arca do concerto de Deus está no santo dos santos, o segundo compartimento do santuário. No ministério do tabernáculo terrestre, que servia como ‘figura e sombra das coisas celestes’, esse compartimento se abria somente no grande Dia da Expiação, para a purificação do santuário. Portanto, o anúncio de que o templo de Deus se abrira no Céu, e de que fora vista a arca do Seu concerto, indica a abertura do lugar santíssimo do santuário celestial [...] A arca do tabernáculo terrestre continha as duas tábuas de pedra, sobre as quais se achavam inscritos os preceitos da lei de Deus. Quando se abriu no Céu o templo de Deus, foi vista a arca do Seu testemunho. Dentro do santo dos santos, no Céu, acha-se guardada sagradamente a lei divina – a lei que foi pronunciada por Deus e escrita com Seu dedo sobre tábuas de pedra [...] No próprio centro do Decálogo acha-se o mandamento do sábado. O Espírito de Deus impressionou o coração dos que estudavam a Sua Palavra, que haviam transgredido ignorantemente esse preceito, deixando de tomar em consideração o dia de repouso do Criador”. (15).

Observamos acima que a lei divina não engloba os 613 mandamentos ou a Torá, mas apenas os 10 mandamentos. Pois Ellen G. White só se foca nas tábuas que estavam dentro da arca e se esquece do restante da Lei que está ao lado da arca. Conforme registra a Bíblia: “Tomai este Livro da Lei e ponde-o ao lado da arca da Aliança do SENHOR, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti”. (Dt.31.26 ARA). Ora, se está ao lado da arca, obviamente está dentro do santuário divino, e dentro do lugar santíssimo, o santo dos santos. Logo, tem a mesma importância. Esse pensamento de Ellen G. White é mais detalhado no livro Nisto Cremos, vejamos apenas alguns trechos: “Conforme muitos cristãos têm percebido, a Bíblia indica que – enquanto a morte de Cristo aboliu a lei cerimonial – essa mesma morte afirmou a contínua validade da lei moral [...] 1. A lei cerimonial. Quando Cristo morreu, cumpriu os simbolismos proféticos do sistema sacrifical. O tipo encontrou o antítipo, e as leis cerimoniais chegaram ao fim [...] 2. O decálogo e a Cruz. Ao mesmo tempo em que a morte de Cristo fez cessar a autoridade da lei cerimonial, ela estabeleceu a autoridade dos Dez Mandamentos. Cristo removeu a maldição da lei, libertando assim os crentes de sua condenação. O ato de Ele assim proceder, contudo, não significou que a lei foi abolida, autorizando-nos a violar os seus princípios”. (16). Observe que dos 613 mandamentos ou a Torá, a sua maior parte é considerada pelos adventistas como “Lei Cerimonial” e apenas os Dez Mandamentos como “Lei moral”. O que causa controvérsias: 

a) nos 613 mandamentos (ou na Torá) encontramos leis de natureza moral também, não apenas no decálogo. Como vimos acima quando apresentei o sábado judeu. 

b) Não há qualquer prova bíblica de que haja uma divisão da Torá em Moral e Cerimonial. Esse erro é ratificado quando dizem: “A Lei Moral, os Dez mandamentos, chamados Lei de Deus [...] O mesmo não se dá com a Lei Cerimonial, freqüentemente chamada de Lei de Moisés”. (Folheto adventista “Leis em Contraste”, 17). Uma questão refutada acima quando falamos sobre o sábado judeu. A teologia cristã sadia “classifica” (que é diferente de dividir) a Lei (os 613 mandamentos ou a Torá) para poder estudá-la melhor e descobrir o que nela se refere à nação de Israel (Lei local) e o que nela se refere a toda humanidade (Lei universal). O sábado é um exemplo de lei local (para Israel) e os outros nove mandamentos são exemplos de lei universal (para todos os homens). E esse processo de classificação deve ser feito em toda Torá, pois somos pertencentes à Nova Aliança e não à Antiga.

c) Quando se diz na teologia cristã que a Lei (os 613 mandamentos ou a Torá) foi abolida (ver mais abaixo), não quer dizer que estamos autorizados a pecar. Mas, que a Lei (os 613 mandamentos ou a Torá) não pôde e nem poderá ser obedecida integralmente por homem algum (exceto Jesus Cristo: Mt.5.17; Hb.4.15; 7.26; Lc.1.35 ARA). Sendo, portanto, incapaz de salvar o homem ou que por meio de obediência da mesma pudéssemos ser salvos ou justificados. Isso porque a impecabilidade não foi possível para os que viveram debaixo da Antiga Aliança (ver 1Rs.8.46; 2Cr.6.36; Sl.14.1-3; Ec.7.20; Is.64.6 ARA) e nem para os que vivem debaixo da Nova Aliança (ver 1Jo.1.8; Rm.3.9, 10,23; Jo.8.7; Tg.3.2 ARA). E o que é pecado senão a “transgressão da Lei”? (ver 1Jo.3.4 ARA). Assim, a Lei foi abolida (ver Hb.7.18. Cl.2.14; Ef.2.15 ARA), quanto instrumento de maldição (Gl.3.10,13 ARA), quanto a sua capacidade de justificar o pecador (não porque ela fosse incapaz de assim fazer) pois esse é carnal (pecaminoso) e escravo do pecado (Rm.7.14 ARA). Todavia, permanece útil, em seus mandamentos universais, tanto para os cristãos quanto para os não cristãos. Aos cristãos é útil para que cresçam na santificação (Lv.20.7,8; 1Pe.1.14-16; 1Tm.1.8; Rm.7.12 ARA) e aos não cristãos é útil para que sintam a culpa de suas transgressões e recorram a Cristo (Rm.10.4; 1Tm.1.9,10 ARA).

Outra observação das palavras de Ellen G. White é que o sábado adventista, os dez mandamentos, são normas de julgamento que começou desde 1844. Vejamos: “A lei de Deus é a norma pela qual se efetua o julgamento [...] Os que forem ‘havidos por dignos’ terão parte na ressurreição dos justos [...] Todos os que tiverem se arrependido verdadeiramente do pecado e que pela fé tenham reclamado o sangue de Cristo, tiveram o perdão aposto a seu nome nos livros do Céu. Tornando-se eles participantes da justiça de Cristo e verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a lei de Deus, seus pecados são riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna” (18). Segundo os adventistas, Jesus faz até agora um juízo investigativo: “... em 1844 – começou a obra de investigação e apagamento dos pecados. Pecados de que não houve arrependimento e que não foram abandonados, não serão apagados dos livros de registro. Anjos de Deus testemunharam cada pecado e o registraram”. (19). Esses pensamentos levam-nos a pensar que não há salvação somente pela graça no adventismo (ver Rm.3.24; Ef.2.5,8; Gl.2.21; At.15.11; etc. ARA), mas também pela guarda dos dez mandamentos. Pois, Jesus Cristo só completará a expiação do pecado depois de ver se os adventistas guardaram os Dez mandamentos e não por Jesus ter guardado toda a Lei em sua perfeita obediência e plena satisfação da vontade de Deus em nosso lugar (ver Rm.5.18,19 ARA). Considerando o fato de que não há a impecabilidade no presente, considerando que há pecados que não estão no decálogo, assuntos que abordei acima, considerando que a Lei é uma só (conforme mostrei quando abordei o sábado judeu); e considerando que há ainda outros pecados que são denunciados no Novo Testamento (ver Gl.5.19-21; 1Co.6.9-10; Ap.21.8; Mt.5.21,22,27,28 ARA), qualquer um logo imaginará que ninguém será salvo no fim deste “juízo investigativo”, pois o pecado é a transgressão da Lei (1Jo.3.4 ARA) e olhando por esse ângulo: todos os homens são transgressores. Por isso o apóstolo Paulo é bem enfático: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”. (Gl.3.10 ARA). Uma lição devemos tirar disso tudo: Somos salvos pela graça e as obras são conseqüência disso. Quando buscamos a salvação pelas obras a conseqüência é maldição, decepção, trocas de acusações e legalismo.

Percebe-se no adventismo, uma soteriologia que faz um rodeio muito grande, depois de toda sessão de pânico, severas advertências e de um “juízo investigativo” que vem acontecendo desde 1844 e terá seu clímax na volta de Jesus, Ellen G. White diz: “Enquanto Jesus faz a defesa dos súditos de Sua graça, Satanás os acusa perante Deus. Aponta para o relatório de suas vidas, para os defeitos de caráter e dessemelhança com Cristo, para todos os pecados que ele próprio os tentou a cometer. Por causa disso os reclama como súditos seus. Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé. Reclamando o perdão para eles, ergue as mãos feridas perante o Pai, dizendo: ‘Gravei-os na palma de Minhas mãos’”. (20). Depois de toda rigorosa averiguação divina, angelical e acusações de Satanás, no final das contas, Jesus intercederá pelos fiéis adventistas, para que só então seus pecados sejam finalmente perdoados. Entretanto, Deus manifestou graça sem rodeios desde a cruz: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”. (2Co.5.18,19 ARA). Esse texto bíblico contesta tanto esse rodeio soteriológico adventista, quanto a conjectura feita acima por Ellen G. White de que “Anjos de Deus testemunharam cada pecado e o registraram” (19). Podemos perceber nesse versículo que, na obra divina de reconciliação, as transgressões daquele que crer não são “imputadas”, ou melhor, “não lançando em conta” (idem, trecho do v.19 na Bíblia NVI). Isso porque a palavra grega presente no manuscrito é “logizomenos” (21) que vem de “logizomai” que quer dizer: “recontar, contar, computar, calcular, conferir, avaliar, somar ou pesar as razões, deliberar, de considerar todas as razões para concluir ou inferir”. (22) O que muda é só a conjugação. Assim, quem é reconciliado com Deus através do ministério da reconciliação feito pela igreja de Cristo, tudo o que essa pessoa convertida cometeu de pecados, não é mais levado em conta. Não nego que haverá o tribunal de Cristo (ver Rm.14.10; 2Co.5.10 ARA), mas o propósito desse tribunal não é investigação (pois como eleitos por Deus, nem anjos e nem Satanás devem se intrometer - Rm.8.33) e nem juízo (pois não há necessidade de juízo sobre aqueles que já foram eleitos – 1Pe.1.2; Rm.8.29-34; Ef.1.4-6 ARA), mas uma prestação de contas de todos os cristãos do que fizeram na terra: quanto à grande comissão, seus talentos, suas obras, tendo em vista a entrega do “galardão” (ver Ap.22.12; 1Co.3.8,14; 1Jo.1.8; Hb.10.35 ARA). Essa palavra vem do grego “misthos” (consta em Ap.22.12, nas suas flexões “misthon” em 1Co.3.8,14; 2Jo.1.8, Ap.11.18 e “misthapodosian” em Hb.10.35, no manuscrito grego Textus Receptus). Com o seu significado: “1) valor pago pelo trabalho e 2) recompensa: usado do fruto natural do trabalho árduo e esforçado”, tendo suas sub-definições: “a) em ambos os sentidos, recompensas e punições, b) das recompensas que Deus dá, ou dará, pelas boas obras e esforços e c) de punições” (22). Com base na doutrina a eleição e justificação dos cristãos convertidos, esse tribunal nos leva a conclusão que será conforme a definição 2) item b): “recompensa; das recompensas que Deus dá, ou dará, pelas boas obras e esforços”. Enfim, tudo isso é fruto de uma má compreensão por parte dos adventistas da doutrina da justificação e expiação de Cristo (embora o livro Nisto Cremos faça claras explanações sobre os temas – ver 23 e 30), da doutrina da predestinação, da eleição dos remidos e do próprio tribunal de Cristo. Todas essas doutrinas são prejudicadas por causa da doutrina do Movimento Millerista da purificação do santuário (24), importada para a crença adventista e ajustada em uma nova roupagem (25). Os adventistas tentam se explicar sobre esta estranha doutrina, pois nunca foi ensinada por qualquer dos apóstolos, por nenhum pai da Igreja, não consta nos credos primitivos (Apostólico, Niceno, Atanasiano e Calcedoniano), nem pelos reformadores (em nenhuma confissão de fé reformada) e nem se quer pelas igrejas protestantes até o presente, sejam tradicionais ou carismáticas. Dizem: “Essa nova visão do ministério celestial de Cristo não representa um afastamento da fé cristã histórica. Ela é, na verdade, o complemento lógico e a consumação inevitável dessa fé...”. (26). Veja bem os termos “nova visão” e “complemento”. Como se tudo o que foi sistematizado e estabelecido pela ortodoxia cristã não fosse suficiente.

Percebe-se que os adventistas não sabem diferenciar Salvação de Expiação. É correto afirmar que a salvação só será completada quando Jesus voltar, mas isso quanto à glorificação do nosso corpo, que nos revestiremos da impecabilidade (ver 1Ts.5.23; Ef.5.26,27; 1Co.15.55,56 ARA), conseqüentemente da imortalidade (ver 1Co.15.51-57; 1Jo.3.2 ARA); quanto à restauração de tudo o que a Queda causou. Porém, quanto à expiação, não há nada a se completar. Jesus disse lá na cruz: “Está consumado” (Jo.19.30 ARA). A palavra grega no manuscrito é “tetelestai” (27) e sobre essa palavra, Strong, comentando sobre o Tempo perfeito dos verbos gregos, ele diz: “O Perfeito grego corresponde ao Perfeito na língua portuguesa, e descreve uma ação que é vista como tendo sido completada no passado, uma vez por todas, não necessitando ser repetida. O último clamor de Jesus na cruz, TETELESTAI (“Está consumado!”), é um bom exemplo do Perfeito usado neste sentido. Em outras palavras, “[a expiação] foi totalmente realizada, de uma vez por todas”. (28).

Conclusão
O sábado judeu é totalmente diferente do sábado adventista. Seja: na soteriologia, na definição do que é a Lei de Deus e na escatologia. O sábado adventista diverge com a teologia cristã protestante na classificação da Lei, querendo colocá-lo como lei moral ou universal, enquanto que se trata de uma lei local (para Israel), fazendo disso uma divisão ou facção no cristianismo. E cria um rodeio enorme para que seus membros tenham finalmente seus pecados perdoados (20) e expiados (ver 29).

Uma palavra final com uma resposta apologética sobre a guarda do sábado
O sábado não deve ser guardado pelos cristãos, pois foi abolido: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. (Cl.2.14-17 ARA).

Geralmente os adventistas dizem que a palavra “sábados” no texto supracitado não se refere ao sábado semanal, mas aos sábados cerimoniais ou anuais mencionados em Levítico 23.1-39. O Instituto Cristão de Pesquisas – ICP, rebate essa interpretação em três pontos:

1) Os chamados sábados anuais ou sábados cerimoniais eram chamados festas e já estão incluídos na frase “dias de festas” em Colossenses 2.16. Estes sábados cerimoniais ou anuais eram designados dias de festas como segue:
a) Festa da Páscoa – Lv.23.5,7
b) Festa de Asmos – Lv.23.8
c) Festa de Pentecostes – Lv.23.15,16
d) Festa das Trombetas – Lv.23.23-25
e) Festa da Expiação – Lv.23.26,32
f) Festa dos Tabernáculos – 1º dia de festa ao último dia de festa – Lv.23.34-36.

2) A fórmula usada por Paulo “dias de festa, luas novas e sábados” indicam os dias sagrados “anuais, mensais e semanais”. Exemplos: 1Cr.23.31; 2Cr.2.4; 8.13; Os.2.11.

3) As palavras sábado, sábados e dia de sábado (singular ou plural) ocorrem 60 vezes no Novo Testamento. Em 59 casos os adventistas reconhecem tratar-se do sábado semanal e apenas um caso eles negam, justamente o de Colossenses 2.16. Dizem: “Os termos Sábado, sábados e dia de Sábado ocorrem sessenta vezes no Novo Testamento, e em cada caso exceto um, refere-se ao sétimo dia. Em Cl.2.16 a 17, faz-se referência aos sábados anuais relacionados com as três festas anuais observadas por Israel antes do primeiro advento de Cristo (Estudos Bíblicos, p.378, CPB). Se dermos à palavra sábado o sentido de semanal em Cl.2.16 teremos o apoio de 59 referências reconhecidas por eles. Ao darem a Cl.2.16 o sentido de sábados anuais ou cerimoniais não encontram nenhuma referência que apóie essa interpretação. Não há nenhum texto correlato. E por que assim argumentam? Porque teriam que reconhecer que o sábado foi abolido (31).

O sábado tornou-se desnecessário aos cristãos: “Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são; mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco”. (Gl.4.8-11 ARA).

Sobre esse trecho da Escrituras William Barclay faz um excelente comentário quando diz: “Nesta seção Paulo baseia ainda seu pensamento na concepção de que a Lei é um estágio elementar da religião e de que o homem amadurecido é aquele que vive da graça. A Lei estava muito bem para uma época antiga em que não existia nada melhor. Mas agora os Gálatas tinham chegado ao conhecimento de Deus e de sua graça [...] agora lhes pergunta: ‘Estão retrocedendo para um estágio que já faz muito devia ter ficado superado? Pensam progredir retrocedendo’. Às coisas elementares, a religião baseada na Lei, Paulo as chama rudimentos fracos e pobres. (1) A Lei é fraca porque é impotente. Pode definir o pecado, pode assinalar ao homem que peca e fazê-lo sentenciado de pecado; mas não pode lhe oferecer o perdão do pecado passado nem a força para superá-lo no futuro. A fraqueza básica e inata da Lei está em que pode diagnosticar a enfermidade, mas não curá-la. (2) A Lei é um pobre rudimento em comparação com o esplendor da graça. Por sua própria natureza a Lei pode agir numa só situação. Para cada nova situação o homem necessita uma nova Lei; mas a maravilha da graça está em que é poikilos: variada, multicolor. Quer dizer, que não há nenhuma situação possível na vida que não possa ser iluminada pela graça. A Lei, por assim dizer, vai tropeçando de crise em crise; a graça é suficiente para todas as coisas. Uma das características da Lei judia era a observância especial de dias e estações. Nesta passagem os dias são os sábados de cada semana; os meses são as Luas novas consideradas como ocasiões especiais; os tempos são as grandes festas anuais como Páscoa, Pentecostes e a festa dos Tabernáculos; os anos são os anos sabáticos, cada sétimo ano, que revestiam um caráter muito particular. O fracasso de uma religião que depende de dias e estações especiais está em que quase inevitavelmente divide os dias em sagrados e profanos, dias que pertencem a Deus e dias em que o homem pode fazer o que achar melhor. E o outro passo quase igualmente inevitável está em que quando a pessoa observou meticulosamente os dias especiais se inclina a pensar que cumpriu sua obrigação com Deus [...] Fazer da religião uma questão de dias, meses e tempos é transformá-la em algo totalmente externo. Para o verdadeiro cristão cada dia é um dia de Deus. Paulo abrigava o temor de que homens que uma vez tinham conhecido o esplendor da graça recaíssem novamente no legalismo; que homens que uma vez tinham vivido na presença de Deus o reduziram a dias especiais”. (32).

O sábado é um mandamento que não é ratificado no Novo Testamento. Não existe nenhum texto ou palavra deixada por Jesus, nem por seus apóstolos, referendando a guarda do sábado. Enquanto que os demais mandamentos do decálogo são. Vejamos:

VELHO TESTAMENTO         NOVO TESTAMENTO
1o Êx.20.3                                   1Co.10.19,20; 8.6; 1Tm.2.5
2o Êx.20.4,5                               1Jo.5.21; At.17.16; 1Co.10.14
3o Êx.20.7                                   1Tm.6.1; Mt.6.9
4o Êx.20.8                                   Não há um registro óbvio!
5o Êx.20.12                                 Ef.6.1-3; Mt.15.4
6o Êx.20.13                                 Rm.13.9b
7o Êx.20.14                                 Rm.13.9a
8o Êx.20.15                                 Rm.13.9c
9o Êx.20.16                                 Mt.19.18d
10o Êx.20.17                               Rm.13.9d

O sábado é um mandamento local e não universal. Por isso não é observado no NT porque foi um pacto feito com os judeus e não com os gentios (confira Êx.19.3-6; 24.3-8 ARA). Um mandamento bíblico só é universal quando não se limita a algum povo (ver Êx.31.16,17 ARA). O sábado cai em desuso porque não é ratificado no NT, pois o antigo pacto foi só com Israel (Sl.147.19,20), e como o novo pacto se estende a todos os povos (Gl.3.28), o NT é a confirmação de seguirmos ou não certos mandamentos do antigo pacto.

Raimundo de Oliveira esclarece com suas palavras reflexivas sobre o decálogo: “O Novo Testamento repete pelo menos: 50 vezes o dever de adorar só a Deus; 12 vezes a advertência contra idolatria; 4 vezes a advertência para não tomar o nome do Senhor em vão; 6 vezes a advertência de honrar pai e mãe; 6 vezes a advertência contra o homicídio; 12 vezes a advertência contra o adultério; 6 vezes a advertência contra o furto; 4 vezes a advertência contra o falso testemunho; 9 vezes a advertência contra a cobiça. Em nenhum lugar do Novo Testamento, no entanto, é encontrado o mandamento de se guardar o sábado” (33).

Os adventistas apelam para passagem de Gênesis 26.5 tendo em vista trazer a Lei para a época de Abraão, numa tentativa desesperada de que a guarda do sábado e da Lei já existia antes de Moisés. Vejamos o texto: “porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis”. 

Vejamos algumas razões porque esse texto não se refere à Lei:

1ª O apóstolo Paulo deixou escrito que a Lei veio 430 anos depois de Abraão (ver Gl.3.17,18 ARA). O verso 18 é decisivo, pois Paulo mostra que antes que Lei fosse promulgada, a promessa já havia sido feita a Abraão gratuitamente. Assim, se a Lei existisse em sua época, já não seria uma promessa gratuita, mas condicionada às suas obras. Como acertadamente faz o comentarista bíblico sobre o verso 18: “Outro aspecto é apresentado. A Lei não condiciona a promessa à mudança de caráter, pois isto violaria a natureza incondicional da promessa. A herança (o desfrute das bênçãos da aliança feita com Abraão – que uma justificação como a dele próprio seria estendida finalmente a todas as famílias da terra) nada tem a ver com a lei. As duas coisas, lei e promessa, são fundamentalmente diferentes. Se a herança fosse condicionada à lei, então a promessa seria nulificada por causa do bem conhecido caráter da lei – que ela é um jugo que ninguém consegue suportar. É fato indiscutível que Deus deu a herança a Abraão pela promessa. Nada pode mudar esta verdade básica”. (34).

2ª Com base nas refutações feitas por Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro (35) podemos agrupar cada palavra que consta na frase “meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis”. Vejamos:

a) Mandados – que saísse de sua terra (Gn.12.1 ARA); que andasse na presença de Deus e fosse perfeito (Gn.17.1,2 ARA).

b) Preceitos – que guardasse o Concerto da circuncisão (Gn.17.9-11 ARA).

c) Estatutos – do hebraico “chuqqah”, que quer dizer: “estatuto, ordenança, limite, lei, algo prescrito” (22). Exemplo de “limite” deixado para ele: que habitasse na terra que Deus ordenara (Gn.26.2,3 ARA). Exemplo de “ordenança”: que sacrificasse seu filho Isaque (Gn.22.2 ARA); que ouvisse Sara, sua mulher, para deitar fora sua serva (Gn.21.12 ARA).

d) Leis – do hebraico “torah”, que quer dizer: “lei, orientação, instrução” (22). Abraão seguiu todas as orientações deixadas pelo Senhor: que envolvem os itens a) b) e c).

e) Sobre o referido trecho em questão, o comentarista Matthew Henry escreveu: “Abraão obedeceu à minha voz’. Faça isto você também, e a promessa lhe estará garantida. A obediência de Abraão aqui é celebrada, para sua honra. Pois graças a ela, ele obteve um bom conceito, junto a Deus e também junto aos homens. Uma grande variedade de palavras é usada aqui para expressar a vontade divina, à qual Abraão tinha sido obediente (minha voz, meu mandado, meus preceitos, meus estatutos e minhas leis), o que pode indicar que a obediência de Abraão era universal. Ele obedeceu às leis naturais da natureza, as leis reveladas de adoração divina, particularmente a da circuncisão, e todos os preceitos extraordinários que Deus lhe tinha dado, como aquele de deixar sua terra, e (que alguns pensam que tem referência especial aqui) o de oferecer o seu filho, que o próprio Isaque tinha razões suficientes para lembrar. Observe que somente terão o benefício e os consolos de Deus com seus santos pais aqueles que trilham os passos de obediência deles”. (36).

3ª Afirmar que a Lei já havia no tempo de Abraão desmonta todo o conceito de revelação e mistério em torno do monte Sinai, lugar no qual o Senhor transmitiu seus mandamentos a Moisés. O povo não teria qualquer expectativa sabendo já do que se tratava o que Deus ia dizer para Moisés. Tal argumentação só reforça os críticos e céticos da Bíblia, onde dizem que os 10 mandamentos já existiram posteriormente a Bíblia e eram ensinados por povos anteriores. E que, por isso, Deus não falou com Moisés. Foi Moisés quem importou essas regras das civilizações mais antigas para as suas regras, e para ser respeitado alegou que esteve com Deus e ele as deu.

Enfim, existem outros mais trechos bíblicos usados pelos adventistas nessa questão do sábado que eu poderia fazer objeções apologéticas, mas o tempo não me permite estender o assunto. Aos interessados em mais objeções sobre outros textos usados pelos adventistas sugiro procurar adquirir a Bíblia Apologética, edição do ICP; os livros: Resposta Às Seitas e Desmascarando as Seitas, editora CPAD e outros mais. Entre em contato com: o CACP – Centro Apologético Cristão de Pesquisas (37), AGIR – Agência de Informações Religiosas (38), ICP – Instituto Cristão de Pesquisas (39), e busque mais esclarecimentos.

Referências:

Textus Receptus - (Bíblia Online – Módulo Avançado – v.3.0. SBB, com texto grego Stephanus 1550).
ARA – Bíblia Almeida Revista e Atualizada.
NVI – Bíblia Nova Versão Internacional.
ARC – Bíblia Almeida Revista e Corrigida.
BH/PT – Bíblia Hebraica em Português. Por David Gorodovits e Jairo Fridlin. Editora e Livraria Sêfer LTDA. 2007.
KJA/PT – Bíblia King James Atualizada em Português.

(2) “Qualidade ou condição do que é díspar, desigual; DESIGUALDADE; DIFERENÇA”: http://www.aulete.com.br/disparidade

(3) “Que se aportuguesou, i.e., assimilou a forma portuguesa ou o jeito de ser português”: http://www.aulete.com.br/aportuguesado


(5) Jesse L. Hurlbut. História da Igreja Cristã, p.72. Editora Vida. Edição 1996.




(9) Centro Apologético Cristão de Pesquisas: http://www.cacp.org.br/a-divisao-da-lei/ 

(10) Josh McDowell e Don Stewart. Entendendo as Religiões não Cristãs, p.130. Editora Candeia. Edição 1996.


(12) Ellen G. White. O Grande Conflito, p.340, 255. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo, Terceira Edição 2003.


(14) Centro Apologético Cristão de Pesquisas: http://www.cacp.org.br/o-sabado-na-visao-adventista/ 

(15) Ellen G. White. O Grande Conflito, p.247, 248. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo, Terceira Edição 2003.

(16) Nisto Cremos, p.323-325. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo. Edição 2003. Versão digital em pdf.

(17) Série Apologética Volume III, p.35. Instituto Cristão de Pesquisas. Edição 2002.

(18) Ellen G. White. O Grande Conflito, p.274, 275. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo, Terceira Edição 2003.

(19) Idem, p.276, 277.

(20) Idem, p.275.

(21) Palavra que consta nos manuscritos gregos: Textus Receptus (Bíblia Online – Módulo Avançado – v.3.0. SBB, com texto grego Stephanus 1550), Bizantino e Alexandrino. Versão comparativa disponível em: http://dubitando.no.sapo.pt/IICor_c.htm 

(22) Léxico grego Strong. Recurso da Bíblia Online – Módulo Avançado – versão 3.0. SBB.

(23) Citações do livro Nisto Cremos: “A Futilidade da Salvação Pelas Obras. O divino ministério de reconciliação revela a futilidade dos esforços humanos no sentido de obter a salvação por intermédio das obras da lei. A compreensão da graça divina conduz à aceitação de justificação disponível por intermédio da fé em Cristo. A gratidão daqueles que experimentaram o perdão, converte a obediência em algo prazenteiro; as obras, em tal situação, jamais representarão o fundamento da salvação, e sim, o seu resultado” (p.166). “Em geral, a palavra justificação, conforme utilizada teologicamente, é ‘o ato divino pelo qual Deus declara justo um pecador penitente, ou o trata como justo. Justificação é o oposto de condenação (Rom. 5:16)’. A base para semelhante justificação é, não a nossa obediência, e sim a de Cristo, pois ‘por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. ... Por meio da obediência de um só [Homem], muitos se tornarão justos’ (Rom. 5:18 e 19). Ele concede a Sua obediência àqueles crentes que são ‘justificados gratuitamente, por Sua graça’ (Rom. 3:24). ‘Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele nos salvou’ (Tito 3:5)”. (p.172). “Através da justificação pela fé em Cristo, Sua justiça nos é imputada. Tudo está em ordem conosco diante de Deus porque Cristo Se tornou o nosso substituto. Segundo o dizer de Paulo, Deus fez pecado por nós ‘Aquele que não conheceu pecado... para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus’ (II Cor. 5:21). Na qualidade de pecadores arrependidos, experimentamos pleno e completo perdão. Estamos reconciliados com Deus! (p.173,174). “Nem a justificação, nem a santificação resultam de obras meritórias. Ambas são devidas unicamente à graça e à justiça de Cristo”. (p.175). Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo. Edição 2003. Versão digital em pdf.

(24) O Movimento Millerista é o “nome derivado de Guilherme Miller (1782-1849), um fazendeiro de Nova York que predisse a data da volta de Cristo. Ele conseguiu reunir um número significativo de seguidores, especialmente depois que se tornou mais preciso em seus cálculos”. (Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. Editora Vida. Edição 2000, por George A. Mather e Larry A. Nichols, p.319,320). Também conhecido como o “Movimento do Advento [...] que surgiu na metade do século 19, enfatizando o retorno de Cristo [...] Miller anunciava a volta de Jesus para 21/03/1843. Estudando o capítulo 8 de Daniel, que fala do Santuário de Deus que seria profanado e depois purificado, ele interpretou que o Santuário fosse a Terra, e que a purificação e se daria na volta de Jesus. Falhando na previsão, remarcou a data para 22/10/1844. Nada aconteceu. Miller abandonou suas idéias proféticas, retornando para sua igreja de origem. A decepção foi geral. Muitos abandonaram essas idéias apocalípticas”. (idem, p.192). “No dia seguinte ao fracasso profético (o grande desapontamento), surgiu Hiran Edson, dizendo ter tido uma visão: ‘Vi, distinta e claramente, que nosso Sumo Sacerdote, em vez de sair do lugar santo do santuário para vir a Terra do dia sétimo do sétimo mês ao fim de dois mil e trezentos dias, entrava naquele dia pela primeira vez no segundo compartimento do santuário e tinha uma obra a realizar no lugar santíssimo antes de voltar à Terra’ (Administrações da Igreja, p.20)”. (Livro Desmascarando as Seitas, por Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro. Editora CPAD. Edição 1996, p.12). Assim, “outros grupos de decepcionados, contudo, ensinaram que Miller acertou a data, mas errou o local. O Santuário a ser purificado ficava no céu, não na Terra. Decidiram se unir, dando origem em 1863 a Associação Geral das Igrejas Adventistas do Sétimo Dia, em Battle Greek, Michigan, EUA, sob a liderança de Ellen Gould White (1827-1915)”. (Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. Editora Vida, por George A. Mather e Larry A. Nichols, p.192).

(25) Tomando emprestado o raciocínio e cálculos de Guilherme Miller (Do ano 457 a.C. ao ano 1 a.C. temos 456 anos. Do ano 1 a.C. ao ano 1.844 d.C., temos 1.844 anos. E a soma destes valores corresponde a 2.300 anos.), sobre o capítulo 8 de Daniel, principalmente o verso 14 que diz: “Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (cálculo base de Miller para os 2.300 anos até a vinda de Cristo em 1844). E de Daniel 9.25: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém...”. (cálculo inicial de Miller para o começo da sua contagem, o ano em que Artaxerxes I mandou Esdras para ornar o Templo em 457 a.C conforme Ed.7.21-27). Os pioneiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia passaram a conjecturar inclusive Ellen G. White: “O que se fazia tipicamente no ministério do santuário terrestre é efetuado em realidade no santuário celestial. Depois de sua ascensão, começou nosso Salvador o Seu trabalho como nosso Sumo Sacerdote [...] Hebreus 9.24. O ministério do sacerdote no primeiro compartimento, ‘para dentro do véu’ que separava o lugar santo do pátio externo, representa a obra à qual Cristo se dedicou ao ascender ao Céu. O sacerdote, na ministração diária, apresentava diante de Deus o sangue da oferta pelo pecado, assim como o incenso que subia com as orações de Israel. Assim, Cristo pleiteava, com seu sangue, perante o Pai, em favor dos pecadores, apresentando também, com a fragrância de Sua própria justiça, as orações dos crentes arrependidos. Esta era a obra ministerial no primeiro compartimento do santuário celestial. Para ali a fé dos discípulos acompanhou a Cristo, quando ele ascendeu [...] Durante dezoito séculos esse ministério prosseguiu no primeiro compartimento do santuário. O sangue de Cristo assegurou perdão e aceitação diante do Pai, em favor dos crentes arrependidos, embora seus pecados ainda permanecessem nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, assim – há também uma expiação para tirar o pecado do santuário. Este serviço começou quando terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasião nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para purificar o santuário”. (O Grande Conflito, p.238,239. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo, Terceira Edição 2003). Pronto, com essa dissertação Ellen G. White deu uma nova roupagem ao cálculo e raciocínio de Guilherme Miller que Cristo veio para purificar o santuário, entretanto, seria o celestial e não a Terra como dizia Miller. E ela prossegue com mais aditivos: “No novo concerto os pecados dos penitentes são, pela fé, colocados sobre Cristo e transferidos, de fato, para o santuário celeste. E assim como a purificação típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados pelos quais ele se poluíra, igualmente a purificação real do santuário celeste deve efetuar-se pela remoção, ou apagamento, dos pecados que ali estão registrados. Antes, porém, que isto se possa realizar, deve haver um exame dos livros de registro a fim de se determinar quem, através do arrependimento e fé em Cristo, tem direito aos benefícios de Sua expiação”. (idem, p.239). E por fim ela encerra a construção da nova interpretação da profecia de Guilherme Miller dizendo: “Desse modo, os que seguiram a luz da palavra profética perceberam que, em vez de vir à Terra ao terminarem em 1844 os 2.300 dias proféticos, Cristo entrou no lugar santíssimo do santuário celestial, a fim de levar a cabo a obra final de expiação, preparatória à sua vinda”. (idem).

(26) Nisto Cremos, p.423. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo. Edição 2003. Versão digital em pdf.

(27) Palavra que consta nos manuscritos gregos: Textus Receptus (Bíblia Online – Módulo Avançado – v.3.0. SBB, com texto grego Stephanus 1550), Bizantino e Alexandrino. Versão comparativa disponível em: http://dubitando.no.sapo.pt/Jo_c.htm 

(28) Dicionário Bíblico Strong, p.1873. SBB. Edição 2002. Versão digital em pdf.

(29) “Quando Cristo, pelo mérito do Seu próprio sangue, remover do santuário celestial os pecados do Seu povo, ao encerrar-se o Seu ministério, colocará os mesmos sobre Satanás, que, na execução do juízo, deverá suportar a pena final. O bode emissário era enviado para uma terra não habitada, não devendo nunca mais retornar à congregação de Israel. Assim será Satanás para sempre banido da presença de Deus e de Seu povo, e eliminado da existência na destruição final do pecado e dos pecadores [...] o anúncio de que o templo de Deus se abrira no Céu, e de que fora vista a arca do Seu concerto, indica a abertura do lugar santíssimo do santuário celestial em 1844, quando Cristo entrou ali para efetuar a obra finalizadora da expiação”. (Ellen G. White. O Grande Conflito, p.240, 247. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo, Terceira Edição 2003). Veja também aqui: “Similarmente, Cristo, no santuário celestial, tem ministrado os benefícios de Sua completa expiação ao Seu povo; em Seu retorno Ele os redimirá e lhes dará a vida eterna. Quando Ele houver completado Sua obra de redenção e purificação do santuário celestial, colocará os pecados de Seu povo sobre Satanás, o originador e instigador do mal. De nenhuma forma se pode dizer que é Satanás quem efetua a expiação pelos pecados dos crentes – Cristo realizou essa obra por completo. Mas Satanás deve ser responsabilizado por todos os pecados que ele levou os salvos a praticarem. Assim como o bode emissário era conduzido ao deserto por um ‘homem à disposição para isso’, assim Deus banirá Satanás para a Terra desolada e desabitada”. (Nisto Cremos, p.473. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo. Edição 2003. Versão digital em pdf). “Quando, portanto, os dois bodes eram postos perante o Senhor no Dia da Expiação, representavam Cristo e Satanás [...] Satanás não somente arrastou o peso e o castigo de seus próprios pecados, mas também dos pecados da hoste dos remidos, os quais foram colocados sobre ele, e também deve sofrer pela ruína de almas por ele causada (O Ritual do Santuário, p. 168 e 314. M. L. Andreasen. Casa Publicadora Brasileira, 1983)”. Atenção: A segunda parte dessa citação estranhamente não aparece no livro digital O Ritual do Santuário, versão em doc, disponível na internet, mas consta no mesmo em inglês The Sanctuary Service By disponível na internet na versão digital em pdf página 136. Na verdade é uma recitação do livro Early Writings disponível na versão digital em pdf página 109, com o título: Early Writings Of Ellen G. White. (disponíveis no blog Anti-heresias). O texto em inglês diz: "Satan bore not only the weight and punishment of his own sins, but also of the sins of the redeemed host, which had been placed upon him; and he must also suffer for the ruin of souls which he had caused”. Embora os adventistas queiram por um remendo no assunto (inclusive frase do livro Nisto Cremos citada acima), o fato é que quando se fala sobre a purificação do santuário em Levítico 16.10,20-22 não deixa sombra de dúvidas de que o bode emissário fazia expiação também pelos pecados (v.10) e que levava sobre si os mesmos (v.22). Tem que se fazer jus ao que Ellen G. White disse: “O que se fazia tipicamente no ministério do santuário terrestre é efetuado em realidade no santuário celestial” (O Grande Conflito, p.238. Editora Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo, Terceira Edição 2003). Assim, Satanás se torna nessa doutrina adventista da purificação do santuário celestial em uma espécie de salvador junto com Jesus (co-salvador). 

Agente sabe na verdade que Jesus cumpriu o papel de ambos: o bode expiatório e o bode emissário (ver mais abaixo). Bem como a sua entrada no Santo dos Santos ocorreu muito tempo antes de 1844. No momento de sua ascensão provavelmente (ver Hb.9.12 NVI, ARA, KJA/PT c/c v.25, veja a correlação e o contexto). Pois, é inconcebível a ideia que Jesus ficou 18 séculos fazendo expiação em um compartimento do templo por um véu (entre o lugar santo e o santo dos santos) como nos deixa entender Ellen G White: “O ministério do sacerdote no primeiro compartimento, ‘para dentro do véu’ que separava o lugar santo do pátio externo, representa a obra à qual Cristo Se dedicou ao ascender ao céu [...] Durante dezoito séculos esse ministério prosseguiu no primeiro compartimento do santuário [...] ao terminarem em 1844 os 2.300 dias proféticos, Cristo entrou no lugar santíssimo do santuário celestial”. (idem, p.238, 239). Sabendo que aquele foi rasgado no advento da crucificação de Jesus no santuário terreno (Lc.23.45 ARA) o véu do santuário celestial não poderia subsistir; e sabendo que Jesus está sentado a direita do Pai (Hb.10.12; 12.2; 1Pe.3.22; Ef.1.20 ARA). Por essas causas concluímos que em Cristo temos acesso total ao santuário celestial, conforme faz a analogia em Hebreus (ver Hb.10.19-23 NVI, ARA, KJA/PT). 

O dia da expiação, o “yom hakipurym” (conforme manuscrito hebraico de Lv.23.27) , tão esperado pelos adventistas, pode talvez ser aplicado ao Calvário, conforme disserta no livro de Hebreus: “24 Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus; 25 nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santuário com sangue alheio. 26 Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb.9.24-26 ARC). Esse texto faz menção ao dia da expiação no verso 25 (que ocorria anualmente) em seguida associa o dia da expiação ao Calvário (v.26). Onde o Templo era o próprio Cristo, ele se referiu a si mesmo como Templo (ver Jo.2.19-21 NVI), como disse Paulo: “ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens...” (2Co.5.19 NVI). Ele se fez pecado (idem v.21), isto é, ele trouxe os pecados para o Templo (o seu corpo), onde todo o juízo foi posto sobre ele, colocado como bode expiatório no símbolo do cordeiro pascal (Is.53.5-10; Gl.3.13 ARA); foi abandonado pelo Pai, como bode emissário, e levou sobre si os pecados (Mt.27.46; Is.53.6,11 ARA) o véu do Templo foi rasgado (a sua carne, ver Hb.10.20 ARA) e no terceiro dia o Templo (Cristo) se apresenta puro (Hb.7.23-26 ARA), no advento de sua ressurreição trouxe justificação ao que crêem (Rm.4.25 ARA). Talvez os adventistas digam que o dia da expiação não ocorre na páscoa, por isso não tem nada haver esta minha argumentação. Todavia, não se deve levar ao pé da letra os símbolos cerimoniais, pois Jesus nem era da linhagem sacerdotal para que pudesse exercer os rituais do dia da expiação (ver Hb.7.14 ARA). Porém, a Bíblia lhe atribui outra linhagem sacerdotal: o de sumo sacerdote segundo a ordem Melquisedeque (ver Hb.7.17 ARA), Assim, “... quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei” (Hb.7.12 ARA). Portanto, temos quer ver que o dia da expiação, a páscoa e demais celebrações da Lei eram apenas “... sombra das coisas que haviam de vir...” (Cl.2.17 ARA), sendo portanto dispensado o literalismo dos símbolos destas cerimônias na pessoa e obra de Jesus Cristo. Pois hora ele é o sacrifício pascal (1Co.5.7 ARA), hora é o sacrifício expiatório (Hb.10.10 ARA), hora é a propiciação pelos pecados (1Jo.4.10; Rm.3.25 ARA) que era feita dentro do Santos dos Santos no propiciatório que ficava em cima da arca da aliança (Êx.25.17-21 ARA), hora é o sacerdote (Hb.10.12 ARA), hora é o sumo sacerdote (Hb.2.17 ARA).

Nos comentários bíblicos de Lucas 23.45 encontramos: “O véu do templo se rasgou em dois. Este véu guardava o lugar santíssimo onde morava a própria presença de Deus, ao qual ninguém podia entrar salvo o sumo sacerdote, e só uma vez ao ano no Dia da Expiação. Foi como se o caminho à presença secreta de Deus, até o momento fechado a todos os homens, fosse aberto a todos. Foi como se o coração de Deus, escondido até esse momento, despiu-se perante os homens. A chegada de Jesus, sua vida e sua morte, rasgam o véu que tinha oculto a Deus do homem”. (Comentário do Novo Testamento, p.247 por William Barclay. Versão digital em pdf). Outro diz sobre o mesmo verso: “o caso do véu do santuário que se rasgou. Esta era a cortina que separava o Santo dos Santos do restante do Templo. Simbolizava o aspecto separado e remoto de Deus. O rasgar do véu a esta altura dá expressão simbólica à verdade de que a morte de Jesus abriu o caminho para a própria presença de Deus (cf. Hb 9:3, 8; 10:19ss)”. (Série Cultura Bíblica – Lucas, Introdução e comentário, p.308 por Leon L. Morris. Editora Vida Nova. Versão digital em pdf). De Mateus 27.51 encontramos outro: “O véu do santuário. A cortina separando o Lugar Santo do Santo dos Santos (Êx.26:31). Este acontecimento, símbolo da abertura permanente da presença de Deus ao homem pela morte expiatória de Cristo (conf. Hb. 10:19-23), poderia ter sido contada pelos sacerdotes que mais tarde se converteram (Atos 6:7)”. (Comentário Bíblico Moody, p.148,149 por Moody Bible Institute of Chicago. Versão digital em pdf.). E finalmente, falando da carne de Cristo como véu no texto de Hebreus 10.20 comenta: “... O véu já não bloqueia mais o acesso a Deus, nem a natureza humana, simbolizada pela referência à carne (sarx). O sofrimento de Cristo na carne removeu esta barreira para sempre. Quando o Seu corpo foi rasgado na cruz, o véu entre Deus e os homens também foi rasgado, dando acesso imediato a Deus. E Cristo é o grande sacerdote, ou grande sumo sacerdote, como em 4:14, matizando o trabalho de um grande sacerdote no santuário”. (idem, p.47).

(30) “Na cruz, a penalidade pelo pecado humano foi plenamente paga. A justiça divina foi satisfeita. Sob a perspectiva legal, o mundo havia sido restaurado ao favor divino (Rom. 5:18). A expiação, ou reconciliação, foi completada na cruz, conforme antecipada pelos sacrifícios, e o pecador penitente pode confiar plenamente nessa obra do Senhor, concluída”. (Nisto Cremos, p.411. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – São Paulo. Edição 2003. Versão digital em pdf).

(31) Série Apologética Volume III, p.39,40. Instituto Cristão de Pesquisas. Edição 2002.

(32) O Novo Testamento comentado por William Barclay , p.41,42. Versão digital em pdf.

(33) Seitas e Heresias, p.71. Por Raimundo de Oliveira. Editora CPAD.  Edição 1997.

(34) Comentário Bíblico Moody, p.22. Moody Bible Institute of Chicago. Versão digital em pdf.

(35) Desmascarando as Seitas, p.26. Por Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro. Editora CPAD. Edição 1996.

(36) Comentário Bíblico Matthew Henry, p.136, 137. Editora CPAD. Edição 2010.


(38) AGIR - contato@ictrindade.com.br 


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3 comentários:

André Fuentes Santos disse...

Amigo, voce já começou errado ao dizer que o sábado dos judeus é diferente dos adventistas, por que os dois têm o mesmo princípio memorial da criação,

Saúde e Cuidados pessoais. disse...

Amigos diferença e que nos Judeus guardamos o Shabat e nao o sabado de Saturno, e seguimos o Calendario Hebreo nao o Gregoriano

Daniel Durand disse...

Caro André Fuentes Santos, existe diferença como o colega judeu acima acabou de postar. E existe diferença também quanto a visão soteriológica do sábado. Para os judeus a soteriologia não é ligada ao sábado, mas ao patriarca Abraão, como mostrei nesta postagem, já o adventismo sim, nas palavras da Sra. Ellen White, conforme referência bibliográfica registrada.