sábado, 2 de maio de 2009

A Igreja Evangélica Voz da Verdade é uma seita?



















Toda a problemática da Igreja Evangélica Voz da Verdade com as igrejas cristãs evangélicas (doravante se chamará IEVV para evitar repetição da mesma frase) está focada na sua oposição a Doutrina Trinitariana1. Veja a confusão provocada pelo conjunto musical deles em um evento gospel:
http://www.cacp.org.br/midia/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1093&menu=16&submenu=6

Os credos primitivos da igreja cristã: Apostólico2, Niceno3 e Atanasiano4, falam sobre a Trindade. Vejamos só um trecho de um dos credos citados acima: “... E a fé cristã consiste em venerar um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas e sem dividir a substância. Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; Mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo...”. (Atanasiano). Os credos dos reformadores da igreja cristã falam: “25. Por que você fala de três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, visto que há um só Deus? R. Porque Deus se revelou, em sua Palavra, de tal maneira que estas três Pessoas distintas são o único, verdadeiro e eterno Deus.” (Catecismo de Heidelberg5). “Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; estas três pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas prioridades pessoais”. (Catecismo Maior de Westminster6).

Temos também a definição doutrinária do Instituto Cristão de Pesquisas, que diz: “Há um só Deus eterno, poderoso e perfeito, distinto em sua trindade: Pai, Filho e Espírito Santo”.

E ainda, do meio do movimento pentecostal se diz: “Creio em um só Deus eternamente subsistente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo”. (Igrejas Assembléias de Deus).

Mesmo diante de toda a unanimidade da Igreja de Cristo. O material intitulado “Instrução Inicial Pró-batismo”, produzido pela IEVV, assim declara: “Quando a Bíblia se refere a Deus, está falando no Espírito Santo que é o Pai, Criador e Senhor de todas as Coisas. Jesus tanto é o Pai, como é o Filho... Jesus pode ser Pai e também o Filho? É muito lógico que sim, pois ele é Deus”. Em outra parte dizem: “Qual é o significado da palavra trindade? Teoria religiosa de intenção carnal e diabólica com o sentido de alimentar uma ilusão de Satanás que teve a pretensão de pluralizar a plenitude da divindade”. O conjunto musical “Voz da Verdade”, que muitos evangélicos incautos e pastores desinformados escutam, fizeram um oposição à doutrina da trindade em um CD. O conteúdo deste CD você pode ouvir no link a seguir, onde começam com a canção "Imagem de Deus", e entre ataques diretos a doutrina Trinitariana, colocam mais duas canções: "Tu Me Amas?" e "Deus Conosco". Os títulos dos assuntos abordados no CD são: "O mistério de Deus: Cristo", "O que Deus diz de si mesmo?", "Quem é Jesus?" e "O batismo das águas". Ouça:

http://www.yohanan.com.br/estudos/o_misterio_de_deus.htm

O Instituto Cristão de Pesquisas - ICP já havia dado um alerta sobre o assunto. Veja no link: http://www.icp.com.br/50materia1.asp
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Portanto, para que a pergunta apresentada em nosso título seja respondida. Precisamos ir para a Bíblia Sagrada. Que é a autoridade final em matéria de religião, fé ou doutrina para toda igreja cristã evangélica que se preza. Vamos por temas:

A EXISTÊNCIA DA TRINDADE NAS ESCRITURAS

No livro de Gênesis em seu primeiro capítulo já nos deparamos com a doutrina: “... disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (v.26). Quem poderia participar da obra da criação se não apenas Deus? Em Is.44.24 diz: “...Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra...” Entretanto, este “Deus” fala usando às palavras “façamos” e “nossa”. Isso prova que Deus não é uma única pessoa. Sabemos que Ele é um ser pessoal, mas precisamos perceber que Ele existe em três pessoas. O mesmo ocorre em Gn.3.22 e 11.7: “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós...” e “Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro...”

A SUA PRESENÇA NAS LINGUAS ORIGINAIS

No hebraico, a língua escrita do Antigo Testamento, faz o uso da palavra “echad” para definir um tipo de unidade, a unidade “composta”. Bem como faz uso da palavra “yachiyd” para definir outro tipo de unidade, a unidade “absoluta”. Seu significado é bem mais claro, o léxico hebraico de Strongs define esta palavra como “só”, “só um”, “solitário”, “sozinho”, “único”. Ambas as palavras são traduzidas para o nosso idioma como “um” (artigo indefinido), “um” (número) e “único”.

Quando as Escrituras querem definir uma unidade “absoluta” geralmente ela usa a palavra “yachiyd”. Por isso são traduzidas para o nosso idioma como “único”, temos exemplos claros: “Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro e único [yachiyd] diante de minha mãe”. (Pv.4.3). “Ó filha do meu povo, cinge-te de cilício e revolve-te na cinza; pranteia como por filho único [yachiyd], pranto de amarguras; porque, de súbito, virá o destruidor sobre nós”. (Jr.6.26).

Quando as Escrituras querem definir uma unidade “composta” geralmente ela usa a palavra “echad”. Por isso são traduzidas para o nosso idioma mais como “um”. Exemplos: “... Eis que o povo é um [echad]...”. (Gn.11.6). “As sete vacas boas serão sete anos; as sete espigas boas, também sete anos; o sonho é um [echad] só”. (Gn.41.26). E outras vezes traduzidas por “um” quando em seu contexto usa uma expressão numérica, temos como exemplo: “A Héber nasceram dois filhos: um [echad] teve por nome Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã”. (Gn.10.25). Raras vezes é traduzida para “único”. Isso pode ocorrer quando o seu contexto favorece a uma unidade “composta”, temos como exemplo: “Disse mais o rei Davi a toda a congregação: Salomão, meu filho, o único [echad] a quem Deus escolheu, é ainda moço e inexperiente, e esta obra é grande; porque o palácio não é para homens, mas para o SENHOR Deus”. (1Cr.1.29).

Agora veja bem, o texto de Dt.6.4: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único [echad] SENHOR”. Ao invés de usar a palavra hebraica “yachiyd” (unidade absoluta: só, solitário, só um), no texto original se usa “echad” (unidade composta). Então temos que ponderar, se geralmente se usa o termo hebraico “echad” para unidade “composta”, outras vezes para uma expressão numérica e raras vezes se traduz para “único” quando o seu contexto favoreça a uma unidade “composta”. Então podemos tirar duas interpretações deste texto e só uma é a verdadeira:

a) Ou a Bíblia está afirmando que Deus é o único SENHOR que governa como Pai, Filho e Espírito Santo;

b) Ou a Bíblia está afirmando que Deus é único SENHOR de uma série de outros que existem.

O item “a” é mais provável, por ser Moisés, autor do texto, de crença “monoteísta”7. Porém o item “b”, remota a uma antiga visão conhecida como “henoteísmo”8. Esta forma de religião foi muito combatida por Isaías: “... diz o SENHOR... antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”. (43.10). “Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus...”. (45.5). “Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro”. (45.6). “Só contigo está Deus, e não há outro que seja Deus”. (45.14). “Eu sou o SENHOR, e não há outro”. (45.18). “Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim”. (45.21). “... porque eu sou Deus, e não há outro”. (45.22).

Portanto, podemos dizer que a palavra “Trindade” encontra-se nas Escrituras originais no termo hebraico “echad” quando ela expressa uma unidade composta da divindade. Ou seja, Deus é um, composto de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

A EXISTÊNCIA DAS TRÊS PESSOAS NA BÍBLIA

Em João 1.1 vemos que o Pai (Deus) estava com o Filho (o verbo). Em João 8.16-18 vemos Jesus claramente afirmar que não está sozinho e apela para a Lei com o testemunho de duas pessoas. Em João 14.26, também 15.26 e Mateus 3.16,17, têm claramente a presença de três pessoas em cena. Em 2Jo.3 mais uma vez, distingue-se o Pai do Filho. E temos ainda o emprego da terceira pessoa do singular usada pelo Pai para anunciar o Filho (texto A) e usada pelo o Filho para anunciar o Espírito Santo (texto B):

(A) “O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás... Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas”.(Dt.18.15,18,19 o grifo é meu).

(B) “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo... quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade... Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”. (Jo.16.8,13,14 o grifo é meu).

A CONFUSÃO DA VOZ DA “VERDADE”

A IEVV faz uma confusão com a palavra “Deus”. Eles confundem que só pelo fato de Jesus ser chamado de “Deus” em algum texto das Escrituras é porque ele era compreendido como o “Pai” por seus escritores, o que não é verdade. Outra confusão é pensar que declarações bíblicas que fazem apologia ao monoteísmo9 sejam refutações da existência de três pessoas na divindade e apóio ao “unicismo”, o que também não é verdade. E uma outra confusão que fazem é pensar que pelo fato de Deus ser um ser pessoal significa dizer que ele seja uma só pessoa. Vamos desfazer essa confusão que a IEVV faz:

1) Sobre a palavra “Deus”

Essa palavra, presente nos originais como “elohiym” e “theos”, não apóia o “unicismo”10 como pensam. A palavra “Deus” sofre muito os efeitos de polissemia11. E ainda, é uma palavra que está no plural na língua hebraica. Precisamos do contexto para saber a quem se refere o texto bíblico. Essa palavra pode se referir a: deuses, deusas, governantes, seres divinos, anjos e ao Deus verdadeiro. Para facilitar o entendimento dos leitores, os tradutores colocaram um “d” minúsculo para os demais versos que não se tratam do “Deus verdadeiro”. Por exemplo:

“Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. (2Co.4.4).

“Então, os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer grande sacrifício a seu deus Dagom e para se alegrarem; e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo”. (Jz.16.23).

“Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo”. (Sl.82.6).

Já a palavra “Deus”, no significado de “Deus verdadeiro”, pode se referir tanto ao Pai, como ao Filho, como ao Espírito Santo ou as três pessoas de uma vez. O contexto é que vai designar qual é a situação. Vejamos algumas ocorrências nas Escrituras:

Mateus 1.23: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)”. Nesta passagem, a palavra “Deus” dirige-se ao Filho;

Mateus 6.8: “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais”. Nesta passem, a palavra “Deus” dirige-se ao Pai;
Marcos 10.6 “porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher”. Neste caso, sabemos que a palavra “Deus” refere-se as três pessoas da trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Pois vemos em Gn.1.26 que a pessoa do Pai não estava sozinho. Deus disse “façamos”. E realmente o Espírito Santo (Jó 33.4) e o Filho participaram (Jo.1.3);

João 1.1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Nesta passem, a palavra “Deus” dirige-se ao Pai, quando afirma que “o Verbo estava com Deus”; e dirige-se ao Filho quando afirma que “o Verbo era Deus”. João não estava afirmando aqui que Jesus era o Pai, mais que Ele era Deus. Pois a expressão “estava com” presente na sentença impõe a existência de duas pessoas: Deus (o Pai) e o Verbo (o Filho). Um em “companhia” de outro.

Atos 5.4: “Não mentiste aos homens, mas a Deus”. Nesta passagem, a palavra “Deus” dirige-se ao Espírito Santo. No verso 3 percebemos que a mentira foi cometida contra a pessoa do Espírito Santo: “... para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?”.

Apocalipse 1.8: “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso”. Nesta passagem, a palavra “Deus” dirige-se ao Filho. Pois vemos que o “Alfa e Omega”, no contexto do livro de apocalipse é Jesus, Ele diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”. (idem 22.13) Sabemos que é Ele porque adiante diz: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas...” (idem 22.16) a primeira pessoa no singular que continua falando é identificada como “Jesus”.

2Coríntios 13.13: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”. Nesta passem, a palavra “Deus” dirige-se ao Pai;

1João 5.20: “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Nesta passagem na primeira parte a palavra “Deus” refere-se ao Pai, já na segunda parte ao Filho. Por causa do adjetivo “verdadeiro”, que está sendo claramente direcionado a Cristo;

João 14.1: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Nesta passem, a palavra “Deus” dirige-se ao Pai;

João 15.5: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Nesta passem, a palavra “Deus” dirige-se ao Pai;

Tito 2.13: “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus”. Nesta passem, a palavra “Deus” dirige-se ao Filho;

2) Sobre o monoteísmo

Quando a Bíblia diz: “Porquanto há um só Deus...” (1Tm.2.5); “... ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2Tm.1.17); “Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro”. (Is.45.6). Os seus autores não estão afirmando que Deus venha ser uma única pessoa, mas um único Deus ou uma única divindade. Isso se vê frequentemente no texto sagrado devido tamanha quantidade de deuses que os povos adoravam. O “politeísmo” era uma prática muito comum na época. E os servos e profetas do Senhor escreviam contestando essa visão deturpada de Deus. Em momento algum eles estavam fazendo contestação à existência de três pessoas na divindade.

3) Sobre Deus ser um ser pessoal

Quando a Bíblia revela a personalidade de Deus (Is.63.10; Sl.100.5; 103.8; Ef.4.30), o seu texto não está afirmando que Deus seja uma única pessoa. Mas está mostrando que Deus não é uma força, uma coisa ou algo que se confunde com o universo. Por isso, a teologia cristã discorda de uma visão que despersonaliza Deus, como faz o “panteísmo”12. Diante disso é muito espontâneo falarmos ou escrevermos: “Deus é uma pessoa”. Mas na verdade estamos dizendo que “Deus é um ser pessoal” e não negando as três pessoas da divindade.

Portanto, diante dessas confusões que a IEVV faz é bom lembrar: “... Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos”. (1Co.14.33).

TRÊS “FORMAS” OU “PESSOAS”?

A IEVV insiste em afirmar que Deus é uma única pessoa. E para que esse pensamento não venha discordar das Escrituras, toda passagem bíblica que distingue a pessoa do Pai da do Filho ou do Espírito com a do Filho, e vice-versa, eles dizem que são “formas” que esse único ser pessoal tomou. Para você entender bem esse pensamento, seria como se Deus fosse um ator de filme que faz três papéis. Este raciocínio seria bem prático e simples, mas não seria verdadeiro. Pois seriam mentirosas as narrativas contidas na Bíblia Sagrada que falam sobre Deus Pai, Filho e Espírito Santo, uma vez que supostamente se tratam de uma mesma pessoa. Vejamos algumas:

a) A Bíblia diz que o Pai enviou Jesus ao mundo para salvar o homem (Jo.3.16). Essa afirmação não seria verdadeira. Pois, supostamente, tanto quem enviou quanto quem foi enviado é uma única pessoa.

b) Em Mateus 3.16,17 diz: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Veja bem, Jesus estava no rio, logo aparece outro ser intitulado “Espírito Santo” tomando uma forma de pomba, e depois se ouve uma voz dos céus chamando Jesus de filho, onde se conclui que seja o Pai. Ora, se não são três pessoas no texto, a narrativa bíblica se torna mentirosa. Ou no mínimo, deixa de ser uma narrativa do evangelho e passa a ser uma alegoria.

c) Lucas diz que Jesus entregou o seu espírito ao Pai (Lc.23.46). Isso foi uma narrativa de Lucas ou uma alegoria?

d) A promessa de Jesus em João 14.16: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. Essa promessa foi plenamente verdadeira? Se Deus é uma única pessoa Jesus não mentiu aqui? Ele garante que diz a verdade: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei”. (Jo.16.7). Que diz a verdade? João ou a IEVV?

e) Em Hebreus 9.14 diz: “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”. Segundo esse texto, Jesus ofereceu a oferta do pecado a quem? Como um único ser oferece para ele mesmo o preço do pecado? Se não há três pessoas aqui no texto, então a obra da salvação não é uma “história”, mas um “mito”. Veja também Ef.5.2. Ora, os sacrifícios são dados a Deus: Hb.11.4; 11.17; Êx.29.14,18; 20.26,27; etc.

O QUE SERÁ DAS NARRATIVAS DOS EVANGELHOS?

É isso mesmo! Esta pergunta não nos compete responder, é da praia dos líderes da IEVV e de todas as outras seitas motivadas pelo unicismo. Ora, o que é uma “narrativa”? O dicionário responde: “maneira de narrar”. Onde “narrar” significa “expor minuciosamente”. Imagine um narrador de futebol, quando ele diz que “a bola bateu na trave” ele não estar fazendo uma alegoria, ele estar contando um fato que aconteceu. Agora lembre-si das narrativas dos evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Quando eles “narram” Jesus falando com o Pai (Mt.26.39; Mc.14.36; Lc.23.34; Jo.17.4-6; etc.). Se não existe a outra pessoa para quem Jesus está falando, então os autores dos evangelhos fizeram alegoria e não uma narrativa. Assim, teríamos que classificar os evangelhos entre os livros poéticos também. Lembro a todos que essa arbitrariedade de interpretar como “alegoria” trechos dos evangelhos abre precedentes para duvidarmos da veracidade dos fatos de todo o contexto.

DOUTRINA UNICISTA, BATISMO UNICISTA

Ora, como negam a Trindade, obviamente eles discordam da fórmula batismal usada pelas igrejas evangélicas, que batizam em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Veja o que eles dizem sobre esse tipo de batismo na “Instrução Inicial Pró-batismo”, preparada pelo Pr. Francisco F. Santos – Rio, 06/06/85: “1) Aos que são batizados nas igrejas cujo batismo é na tradição dos títulos, esses batismos são considerados válidos? Resposta: São considerados com valor religioso, mas não têm valor bíblico algum (Ef.4.5), pois é um tipo de batismo forjado pelo homem”.

Porém essa fórmula foi declarada por Jesus em Mateus 28.19: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Jesus ordenou que seus discípulos batizassem os novos discípulos “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Ou seja, na autoridade das três pessoas e não nos três “títulos”. Ainda, equivocadamente, citam a passagem de Atos 2.38, onde Pedro diz: “... Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo...” para sofismar que Pedro era unicista ou que a Igreja Primitiva foi unicista ou que a Bíblia seja unicista. Porém, se respeitarmos um princípio universal de interpretação bíblica que diz ser “a Bíblia a melhor intérprete de si mesma”, poderemos entender o texto. Assim, vejamos o que a Bíblia diz: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Colossenses 3.17). Pedro batizava os novos discípulos “em nome de Jesus” não porque essa é a “forma certa de batizar”, mas que tudo o que iria fazer na vida, ele fazia em nome de Jesus. Mas, quando fosse celebrar o batismo evidentemente usaria a fórmula ordenada por seu Senhor: “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Pedro sabia muito bem que ter Jesus como Senhor implicava em obedecer-lho: “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lc.6.46).

Todas as liturgias cristãs são feitas com base em Colossenses 3.17. No entanto, cada uma tem a sua forma e jeito de ser celebrada. Seja casamento, funeral, ordenação (At.6.6), bênção apostólica (2Co.13.13), etc.

CONCLUSÃO

“Seita é um grupo de indivíduos motivados por uma heresia. E heresia é tudo aquilo que em matéria de fé, sustenta opiniões contrárias, excedentes e deturpadas da Palavra de Deus”.

Portanto, pregar contra a doutrina da Trindade não é se opor simplesmente a um credo denominacional. Mas, é se opor a Bíblia Sagrada. O unicismo é uma heresia. E a IEVV é um grupo motivado por essa heresia unicista13.

VOCABULÁRIO:

1. Doutrina Trinitariana: Ensinamento cristão de que Deus é subsistente em três pessoas. Chama-se “Trintade” – três pessoas na divindade.

2. Apostólico: Esse credo feito em homenagem aos apóstolos de Cristo. Esse título dado ao credo foi usado pela primeira vez no ano de 390 d.C. no sínodo de Milão. Em 404 d.C. Tirano Rufino escreveu um comentário do credo, contando a história de sua provável origem (de que no dia de Pentecostes os apóstolos, antes de cumprir a ordem de ir aos confins da terra, teriam se reunido e cada um contribuído com alguma parte do credo). Há evidência, no entanto, de que um credo muito semelhante a este já era usado no ano 150 d.C.

3. Niceno: O Credo Niceno deriva-se do credo de Nicéia (composto pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C.), com pequenas modificações efetuadas pelo Concílio de Calcedônia (451 d.C.) e pelo Concílio de Toledo (Espanha, 589 d.C.). Este credo expressa mais precisamente a doutrina da Trindade, contra o arianismo.

4. Atanasiano: Esse credo foi feito aproximadamente no século IV d.C. em homenagem ao heróico defensor da doutrina da divindade de Cristo: Atanásio. O foco do credo era defender a doutrina da Trindade e a divindade de Cristo.

5. O Catecismo de Heidelberg tem sido destacado como a mais bela das confissões de fé produzidas pela Reforma Protestante, a mais generosa e pessoal dentre as exposições do calvinismo. Trata-se de uma confissão constituída de 129 perguntas e respostas, tendo a sua seqüência baseada na Epístola aos Romanos. Publicado no dia 19 de janeiro de 1563. Colaboradores: Zacarias Ursino - Zacarias Baer ou Ursinus (1534-1583) nasceu na Polônia. Gaspar Oleviano - Kaspar von Olewig ou Olevianus (1536-1587) nasceu em Treves, na fronteira de Luxemburgo.

6. O Catecismo Maior de Westminster, formulado pela Assembléia de Westminster, no séc. XVII d.C. É um catecismo de orientação calvinista, composto de 196 questões. Junto da Confissão de Fé de Westminster e do Breve Catecismo, compõe os símbolos de fé das igrejas presbiterianas ao redor do mundo.

7. Monoteísta: Adepto do monoteísmo.

8. Henoteísmo: Forma de religião em que se cultua um só Deus sem que se exclua a existência de outros.

9. Monoteísmo: Sistema ou doutrina daqueles que admitem a existência de um único Deus.

10. Unicismo: pensamento que nega a doutrina da Trindade desenvolvendo a teoria de três manifestações. Seria um único Deus Verdadeiro que se manifestara em três “formas” e não “pessoas”, ora como Pai, ora como Filho, ora como Espírito Santo. As principais seitas adeptas deste pensamento são: “Igreja do Evangelho Eterno”, “Tabernáculo da Fé”, “Só Jesus”, “Voz da Verdade”, “Igreja Local de Wintness Lee”.

11. Polissemia: Uma palavra com muitos significados.

12. Panteísmo: Do gr. pas, pan, "tudo, todas as coisas" e théos, "deus". Como o próprio nome sugere, é a doutrina segundo a qual Deus e o mundo formam uma unidade; são a mesma coisa, constituindo-se num todo indivisível. Deus não é transcendente ao mundo, dele não se distingue nem se separa; pelo contrário, lhe é imanente, confunde-se com ele, dissolve-se nele, manifesta-se nele e nele se realiza como uma só realidade total, substancial.

13. Unicista: Que ensina o unicismo.