terça-feira, 2 de novembro de 2010

EXAMINAR TUDO É “TUDO” MESMO?














Texto em prova: “Examinai tudo. Retende o bem". (1Ts.5.21).
Constantemente eu tenho visto irmãos (e até pastores) citarem 1Tessalonicenses 5.21 como uma ordem para, do ecletismo, extrairmos coisas boas. Aparentemente (é só aparente), para muitos, Paulo pede a igreja para ler, ver e ouvir, todo tipo de mensagem vinda de todas as direções. Sejam oriundas de mestres das seitas, de ateus, de mundanos e de movimentos controversos como G12, M12, MDA, IURD, IMPD, Confissão Positiva, Teísmo Aberto, etc. E retirar dessas fontes aquilo que "é bom". Mas, será era isso que o autor tinha em mente?

Se há uma coisa que os “não ortodoxos” detestam na Bíblia chama-se CONTEXTO. É isso mesmo, ninguém que cita algo fora de contexto gosta de ser exortado a voltar ao verdadeiro sentido do texto. Somos considerados "desmancha prazer", “chatos”, “pentelhos”, “bibliólatras”, “irritantes”, etc. Porém, eu não estou aqui para agradar a homens. Meu compromisso é com a verdade bíblica. Assim, precisamos esclarecer o assunto. Pois, como falei acima, tem um monte de cristãos bebendo de toda fonte amarga como se pudesse extrair água doce. As pessoas estão entorpecidas pelo relativismo pós-moderno; embriagadas com a prostituição contida no cálice de ouro da grande meretriz (Ap.17.4); hipnotizados com o "canto da sereia". Espero que alguns voltem à ebriedade espiritual e despertem dessa hipnose com a leitura desse meu texto.

Afinal de contas: Examinar tudo é “tudo” mesmo?

Confesso que até eu já entendi assim um dia. Mas, precisamos amadurecer:
O apóstolo Paulo nunca concordou com esse pensamento, basta ver o contexto: “Não desprezeis as profecias”. (1Ts.5.20). Ele estava falando das "profecias". Ele fez a mesma recomendação aos Coríntios (ver 1Co.14.29). O "exame" que ele estava solicitando é das profecias ditas na igreja. Esse "tudo" que Paulo se refere é a "tudo" o que foi dito nas profecias. Não tem nada haver com as heresias pregadas na mídia, os ensinos controversos dos neo-evangélicos ou a tudo o que se ouse e ler. E diga de passagem que as tais “profecias”, diferente do que dizem nos jardins de oração pentecostais e dos supostos “rhemas” de líderes neopentecostais que recebem e declaram, no contexto paulino aqui apreciado, devem sim ser julgadas e examinadas. E não tratadas literalmente como “palavras de Deus”. Respeitando o encerramento de toda revelação divina doutrinária e profética nas Escrituras (Sola Scriptura: Mt.11.13; Lc.16.16; 1Co.4.6; Pv.30.6; Ap.22.18). Pois, se Deus não encerrou a sua revelação, então, todo “guru” que afirmar ter visto Deus, conversado com ele, e recebido uma nova mensagem para o mundo, deveria ser recebido pela igreja e seus escritos adicionados às Escrituras. É como disse John Ankerberg: "Se a doutrina bíblica não é o padrão final, então onde traçar os limites do que é ou não é cristão?".

O cristão deve guardar-se do "fermento". Temos várias recomendações na Bíblia quanto a isso, inclusive do próprio apóstolo Paulo:

"E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus". (Mt.16.6);

"Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus". (Mt.16.12);

“Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes”. (Mc.8.15);

Comentário bíblico: Pelo visto, Jesus não mandou seus discípulos examinarem a doutrina dos fariseus e dos saduceus e reter o que é bom. Ele mandou tomar cuidado e guardar-se.

"Um pouco de fermento leveda toda a massa". (Gl.5.9);

Comentário bíblico: Diferente do que muitos dizem. Só um pouco faz mal sim.

"Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade. Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais". (1Co.5.7).

Comentário bíblico: Pelo visto, o apóstolo Paulo não mandou aqui que os crentes examinassem tudo e ficassem com o que é bom. Pelo contrário, ele mandou não vos associar com “irmãos” que vivem pregando heresias ou ensinos controversos e muito menos misturarmos com suas práticas. Pelo contexto, Paulo trata dos que estão entre nós. Ele usa a palavra grega "sunanamignumi" (traduz no texto ARA: associásseis) que significa "misturar-se com" ou "relacionar-se com". Ou seja, Paulo manda aos crentes não se misturarem ou relacionarem com qualquer "irmão" que se envolve com pecados morais e doutrinários. Mas, infelizmente, a igreja evangélica, influenciada pelo relativismo, não considera mais pecados doutrinários. "Cada um tem a sua doutrina". Não é isso que dizem agora? Contudo, Paulo cita o "idólatra" no referido texto. Referindo-se a um pecado doutrinário e não meramente moral. Uma vez que o idólatra no mínimo é: politeísta. (doutrina que existem vários deuses). Paulo cita o pão asmo, pão sem fermento. Hoje, não se fala mais de pecados doutrinários. E pouco se fala de pecados morais. É triste a situação. O pão já não é mais asmo. Maranata! Vem Senhor Jesus!

“Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más”. (2Jo.1.8-11).

Comentário bíblico: João não mandou os irmãos receberem, examinarem tudo e reterem o que é bom daqueles que fossem em suas casas. Uma das doutrinas mais atacadas pelos falsos mestres é a cristologia. Contudo, na interpretação equivocada de 1Ts.5.21 tem um monte de crentes recebendo em suas casas canções de grupos que subtraem, adicionam ou distorcem os ensinos sobre Cristo. Ouvem e assistem mensagens de todo e qualquer que fala de Jesus na TV, no DVD ou na internet. Mas, que Jesus? O Jesus bíblico? Histórico? Definido pela ortodoxia?

Conclusão

Meu querido irmão ou pastor, não leia, assista ou ouça mensagens fora da ortodoxia bíblica. Acautelai-vos e guardai-vos. Não seja reflexivo, seja bíblico! Reflita, medite, mas, na Palavra de Deus (Sl.1.2). Guarde o seu coração dessas coisas. Basta um pouco para causar divisão e destruição no meio da igreja de Cristo.

Lembre-se que não é só no amor que devemos nos unir, mas também na verdade. Se esta não acompanha (Ef.4.15), estamos promovendo divisão e não a unidade do corpo de Cristo. Pense nisso.

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer”. (1Co.1.10).

“Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco”. (2Co.13.11).

Sola Scriptura!

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