terça-feira, 10 de abril de 2018

DESIGREJADOS - UM ALERTA A COMUNIDADE EVANGÉLICA



O que ocorre hoje nas denominações é algo assombroso. As pessoas que se dizem cristãs perderam qualquer respeito e pudor pelas instituições cristãs. Se muda mais de denominação do que de roupas. Estamos vivendo uma época onde os locais de culto viraram local de consumo. Não há nenhum comprometimento com a instituição cristã. Poucas são as denominações que conseguem hoje manter o público constante e fiel. A rotatividade, que antes ocorria por motivos excepcionais, agora ocorre por questões banais, insubmissão corriqueira e incontrolável. Como ser igreja restringi-se apenas a ir a um culto evangélico. O fato é que aquilo que era algo isolado, pontual, minoritário, agora se mostra majoritário e comum. Está claro na minha observação de pesquisador do comportamento religioso e apologista cristão que isso se deve ao fato do surgimento das igrejas neopentecostais. Mas, não entrarei aqui neste mérito da questão, pois já falei muito sobre esse movimento tanto aqui no blog, como no meu livro escrito mais detalhadamente sobre os desigrejados.

Os evangélicos viraram tipo os “católicos não praticantes” que, antes se resumia apenas a esse segmento do cristianismo, hoje, no meio evangélico tornou-se comum “evangélicos não praticantes”. O desigrejado é tipo assim: Um período é da igreja x, depois passa para a igreja y, e em pouco tempo se estar na igreja z. Além disso, no tempo que se passa na igreja x, y e z não se tem qualquer fidelidade ou comprometimento com a instituição frequentada. É como se fossem lojas, supermercados, feiras de fim de semana. Onde você entra, e lhe é proposto um monte de publicidade, ofertas, produtos, artigos, da fé, ícones religiosos, palavra focada no que se deseja ouvir, tudo ao gosto do “fregues”.

Aqueles que fazem parte das instituições cristãs, membros fiéis das denominações, os que estão “igrejados”, precisam tomar uma postura mais incisiva na exortação e repreensão dos ausentes e inconstantes. Deixar essa missão na conta da liderança é um desserviço a eclesiologia. Pois ser igreja não é função pastoral, mas de todos. A Bíblia quando aborda o tema ela diz:

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hebreus 10:25 ARA)

Observe que o texto supracitado diz “façamos admoestações” (veremos isso melhor mais adiante). Note também que, no contexto, fala em "… nos estimularmos ao amor e às boas obras" (v.24). Ora, o ambiente de igreja local é o lugar mais propício a essas práticas, uma vez que a vida de igreja é um desafio de amor ao irmão e aos perdidos; o trem da igreja leva em seus vagões a prática das boas obras. Veja ainda que, no contexto, fala “porque se vivermos deliberadamente no pecado…” (v.26). Ou seja, o autor da carta aos Hebreus considerava quem vivia ausente a comunhão do corpo da igreja local como se estivesse em pecado de apostasia (abandono da fé).

Na Bíblia de Estudo King James comenta o v.26 assim: “Todo e qualquer pecado tem seu perdão e remissão em Cristo Jesus, menos o pecado da rejeição consciente e sistemática (apostasia) ao amor de Deus mediante o Evangelho. O cenário histórico dessa passagem do AT está registrado em Nm.15.27-31 e refere-se especialmente àquelas pessoas que, havendo confessado sua fé no SENHOR, decidem afastar-se do Corpo de Cristo (a igreja), negando a fé que um dia abraçaram (Hb.6.4-8)”.

Aplicando isso no que estamos falando aqui, as pessoas mascaram sua apostasia pessoal, mau testemunho e pecados secretos em uma mudança de denominação para que, aquilo que precisa ser tratado ou corrigido, não o faça. E assim, igrejas locais, denominações alopradas, que comportam multidões, tem sido a alternativa mais cobiçada por esses desigrejados, onde fica mais conveniente se esconder. Ou igrejas locais, de pequeno porte buscam o crescimento numérico em detrimento de uma sondagem, seleção e comunhão de ex-membros das denominações coirmãs que, hoje, viraram “concorrentes” e muitas vezes com um tom de “segregação denominacional”. Onde nem carta de recomendação da denominação anterior, que gera um intercâmbio entre os pastores, lhe é exigida.

O fenômeno dos desigrejados é muito complexo. E tolo é aquele que pensa se tratar apenas de desviados. A problemática tem ganhado proporções astronômicas e surgido várias características. Existem diversos pontos que caracterizam um desigrejado. No meu livro Desigrejados. Na página 36,37:

"1 – Em sua maioria são meros frequentadores de denominações cristãs; 2 – Não reconhece uma autoridade delegada por Deus; só Jesus; 3 – Não se congrega fielmente em uma igreja local. Parte deles se reúne em grupos nos lares; 4 – Interpreta a igreja primitiva como o padrão final de modelo de igreja, isolando-a do seu contexto histórico/cultural; 5 – Não contribui financeiramente com uma igreja local. Nega-se a dar o dízimo ou contribuição financeira; 6 – Não tem compromisso afetivo, diaconal ou participativo com uma congregação específica".

Se você tem qualquer um dessas características já se classifica como um desigrejado. Precisa consertar o seu conceito de igreja e estabelecer sua comunhão com a igreja. Não se engane com as heresias dos desigrejados, você não é igreja. Você é parte dela. E fora dela você não é mais nem parte da igreja. A palavra igreja jamais foi concebida no individual, mas no coletivo. É inócuo esse argumento. Muitos outros eu refuto em meu livro aqui mencionado.

A LUTA CONTRA O FENÔMENO DOS DESIGREJADOS

Para estancar esse sangramento, o grande trânsito de crentes de um lado para o outro e a falta de compromisso e afastamentos regulares de membros é preciso que haja uma iniciativa dos pastores, enquanto eles forem menos seletivos e criteriosos no recebimento de ex-membros de outras denominações isso jamais se acabará. É preciso construir uma eclesiologia sob luz do Novo Testamento, reformulando as nuances da igreja atual com o que temos de princípio básico de igreja no seu nascedouro, a igreja primitiva. Preservando alguns valores relevantes que se construíram ao longo da histórica da igreja até hoje. Enquanto não houver uma mudança estrutural na liturgia, na eclesiologia, buscando aproximar-se mais com a religião do Novo Testamento, o contexto neotestamentário de se ler e ver a liderança da igreja e de se comportar a membresia desta, isso nunca acabará. Enquanto os membros que consideram-se fiéis e comprometidos com sua denominação portarem-se de maneira “politicamente correto”, que é preferível as amizades em detrimento da submissão, do bom testemunho, da valorização da instituição, o fenômeno dos desigrejados durará por um longo período. Alguns dizem: “a denominação cristã é uma instituição humana”. Ora, se o apóstolo Pedro recomenda que sujeitemos as instituições humanas (cf. 1Pe.2.13), por que não podemos nos sujeitar a igreja institucional? Num país em que vivemos, onde as instituições são desrespeitadas, vamos fazer coro com os anarquistas?

Se pegarmos a passagem bíblica usada aqui da carta de Hebreus 10.25 frisando novamente a frase “façamos admoestações”. É correta a conclusão que os igrejados têm um papel fundamental na luta contra a prática de se desigrejar. Eu considero um ato de autoexcomunhão. Isto é, a pessoa não foi excomungada pela igreja, mas ela mesma o fez, consciente ou inconsciente, por conta própria sua excomunhão. E o que é pior: logo ela acha outra que o receba, mesmo sabendo que isso contribui com o desigrejamento dos crentes. Repito, se não radicalizar a questão, o sangramento nunca será contido! E o que se faz com um corpo que sangra? Se estanca não é mesmo? Uma medida radical, enérgica e que exige amarra, que chamamos de torniquete.

Sobre o referido versículo bíblico, a Bíblia de Estudo John MacArthur comenta: “A exortação assume a forma de incentivo, consolo, advertência ou fortalecimento”. Se fizermos uma exegese dessa frase, a palavra em que está traduzida “admoestações” (na versão ARA) vem do grego “parakaleo”, que quer dizer: “chamar para o lado, chamar, convocar, dirigir-se, o que pode ser feito por meio da exortação, solicitação, conforto, instrução, etc. Admoestar…”. (léxico grego de Strong). Creio que com essa definição a palavra de origem facilita ainda mais a verdade de que é um dever dos que estão igrejados trabalhar o retorno do desigrejado com uma abordagem, dependendo da situação de cada um, dura ou educativa. A omissão disso é o que faz os desigrejados crescerem. Bem como a omissão da liderança em buscar reformas na estrutura eclesiástica que venham retirar o combustível que alimenta esse fenômeno. Uma denominação solitariamente tentar resolver isso não conseguirá eliminar o mal. Entretanto, fará um trabalho do tipo: minha parte estou fazendo, faça a sua! Fica aqui o alerta para todas igrejas evangélicas: façam a parte que lhes cabe! Maiores informações sobre esse fenômeno, você encontrará no meu livro aqui mencionado no início da postagem.

FICA A DICA:

NÃO SE DEIXE ENGANAR.


Quando você enxerga uma igreja local sob a perspectiva institucional, sua relação com ela será constante, compromissada e afetiva. Todavia, quando você enxerga sob a perspectiva comercial, sua relação será o averso.

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