segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PROPOSTAS DE REFORMA PARA A IGREJA INSTITUCIONAL - PARTE 1



Esse texto é parte de minha monografia intitulada: "Desigrejados", da faculdade de bacharel em teologia que conclui. Deixo aqui uma das várias propostas tendo em vista a redenção da igreja institucional.

A famosa contagem do IBGE, censo de 2010, consta aproximadamente 42 milhões de evangélicos. Entretanto, consta-se que quase 13 milhões desse grupo consideram-se não pertencer a denominação alguma.

Enfim, o problema é grave, e trago nessa postagem apenas uma das várias mudanças ou reformas necessárias para que a igreja institucional venha a sobreviver. Felizes os líderes que levarem a sério esse meu texto.

Focar uma eclesiologia a luz do Novo Testamento

Observa-se que esse ponto é um dos principais problemas da instituição evangélica. Sua eclesiologia é muito mais veterotestamentária do que neotestamentária. É triste a confusão que fazem das alianças quando a questão é igreja. É óbvio que não se devem negar todas as características da congregação judaica na congregação cristã, pois, o cristianismo veio do judaísmo. Todavia, a igreja primitiva, no livro Atos dos Apóstolos e cartas paulinas e gerais deixa uma herança na qual toda liderança cristã deveria se focar mais.

Por exemplo: A figura central do sacerdote do Velho Testamento ainda é muito fortemente transferida ao pastor evangélico. Isso tem causado transtorno ao verdadeiro ministério pastoral em uma igreja local. Nota-se que a figura do “capelão” tem sido muito mais divulgada como papel de pastor do que a de “facilitador”.

Em parte alguma do Novo Testamento encontra-se o pastor ou bispo ou presbítero (palavras similares no grego para representar o líder cristão de uma congregação) como mediadores entre o povo e Deus. Isso é uma contradição muito grande com a base da fé cristã. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm.2.5). E a mensagem que o evangelho passa é de que todos os cristãos são sacerdotes de Deus. A Bíblia assim diz: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (1Pe.2.9 o grifo é meu). A verdade bíblica neotestamentária é superior a do Velho Testamento (cf. Hb.7.22; 8.6).

Se uma instituição evangélica deseja passar por uma reforma, deve também passar por essa mudança de pensamento quanto à figura do seu líder eclesiástico. Instituições que prezam muito pelo modelo de igreja tradicional, onde o pastor é visto como “sacerdote”, “ungido” e “profeta” são modelos regados à base de trechos do Antigo Testamento sem as devidas adequações a Nova Aliança que foi implantada pelo nosso Senhor Jesus Cristo.

Está escrito: “A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus”. (Lc.16.16a). Jesus tornou-se o centro dos três ofícios do Velho Testamento: Profeta, sacerdote e rei. Esses ofícios são intransferíveis (na qualidade que estão no AT) para terceiros, encerraram-se em Jesus.

Deve-se observar, por exemplo, profecia de Ezequiel, muito usada como fundamento para se cobrar presença e acompanhamento por parte dos pastores. Ocorre, entretanto, que essa profecia não tem nada a ver com pastores cristãos. Até mesmo porque nem existia a igreja de Cristo nessa época. A profecia de Ezequiel direcionada aos sacerdotes e líderes de Israel é uma forma profética de anunciar o Messias, o legítimo sacerdote do povo. Convém proceder-se à análise de alguns trechos dessa profecia: “Ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? [...] A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazes e a perdida não buscastes, mas dominais sobre elas com rigor e dureza”. (Ez.34.2b,4). O profeta revela a fraqueza da liderança humana, limitada e pecadora do sacerdote veterotestamentário ante os dilemas da vida espiritual da congregação de Israel. Depois de relatar essa falha humana e nos versos seguintes, consequentemente, a dispersão do povo, o profeta foca-se na revelação messiânica:

Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que encontra ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; livrá-las-ei de todos os lugares para onde foram espalhadas no dia de nuvens e de escuridão [...] Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com justiça [...] Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor. Eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse. (Ez.34.11,12,15,16,23,24).

É por isso que Jesus se apresenta em João 10 como “pastor” fazendo alusão a essa profecia! E ninguém pode substituí-lo! Não tem como. Somente Cristo pode suprir as necessidades de um cristão (cf. Sl.23). Somente Cristo pode mediar pelas pessoas junto a Deus, e mais ninguém. E somente Cristo é o “cabeça” da igreja. Comumente se ouve falar em instituições de modelos tradicionais em que o pastor é o cabeça. Este quadro precisa mudar! É necessária uma reforma na instituição. A Bíblia é clara: “porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo”. (Ef.5.23); “Ele é a cabeça do corpo, da igreja”. (Cl.1.18a); “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. (Ef.4.15). O corpo de Cristo não é um “bicho de duas cabeças”.

O pastor de uma congregação é alguém constituído pelo Espírito Santo para guardar, administrar, edificar, aperfeiçoar o rebanho de Deus. Ocorre, entretanto, que ele não é o cabeça da igreja, ele é um facilitador do rebanho e da obra divina na terra por meio da igreja de Cristo. O Novo Testamento deixa claro isso: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”. (Ef.4.11,12 grifo nosso). “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”. (At.20.28 grifo nosso). “pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?”. (1Tm.3.5 grifo nosso). “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”. (1Pe. 5.4 grifo nosso). As palavras grifadas ajudam a “desenhar” o perfil da figura de liderança neotestamentária sem que venha a usurpar o lugar de Cristo e sem copiar o perfil sacerdotal do Velho Testamento. Torna-se primordial a cuidadosa análise de cada detalhe deste perfil:

a) Pastores: Esse é o único texto do Novo Testamento relacionando a pessoas fora Cristo como pastor. Essa palavra está associada a outras como “dons” dados pelo próprio Cristo (ver v.8). O dom de pastorear é dado aos líderes de uma congregação para que possam guiar o povo até que Cristo venha (Hb.13.17).

b) Aperfeiçoamento e edificação: Pastores não foram chamados para serem sacerdotes, ungidos ou mediadores numa congregação. O papel deles é de “aperfeiçoar”, fazer com que os cristãos se tornem mais maduros, mais preparados para a realização da obra de Deus. Trazendo com isso “edificação”, isto é, crescimento a igreja de Cristo. Uma congregação onde as pessoas não sabem nada ou quase nada de Bíblia, onde não se realiza o “ide” de Jesus, onde não são cristãos excelentes, com certeza não está em edificação. Mas, em queda.

c) Pastoreardes: Tomar conta, apascentar, trazer alimento para o rebanho. O pastor de uma congregação tem o dever de trazer a Palavra de Deus expositivamente ao rebanho de Deus. Tem o dever de guardar o rebanho contra os ataques externos e internos dos erros morais e doutrinários que venham possivelmente assediar o rebanho. Retratado claramente nos versos de Atos 20.28 (v.29,30).

d) Governar, cuidar: É um comparativo que Paulo faz do Bispo que, sendo um bom governante de sua casa, também o será na igreja. Ressaltando assim o perfil de um pai de família no governo: da parte administrativa, educativa, aconselhamento e provisão de alimento espiritual. Para tudo isso o pastor local vai buscar subsídio na Palavra de Deus e na oração. Ministérios estes designados à liderança cristã do Novo Testamento (cf. At.6.4).

e) Sumo Pastor: Finalmente, Pedro, dirigindo-se aos presbíteros em sua carta, ressalta que o pastoreio humano é finito, limitado, interino e submisso a superioridade de Jesus.

A igreja de Cristo não é um lugar, ela se reúne num lugar a figura pastoral sozinha não tem como ser o corpo de Cristo na terra. O pastor sozinho não poderá fazer o que Cristo faz e fez. Jamais lhe substituirá. Até mesmo por suas impossibilidades naturais e frágeis. Por ser humano e pecador. É neste ponto que aparece a igreja verdadeira: que é o corpo de Cristo.

Os cristãos que se reúnem em uma congregação devem aplicar as ordenanças dadas na Nova Aliança, que foram:

a) Suportar e perdoar uns aos outros (cf. Cl.3.13);

b) Admoestar uns aos outros a se congregar (cf. Hb.10.25);

c) Amar uns aos outros (cf. Jo.13.34,35; 1Pe.4.8);

d) Honrar uns aos outros (cf. Rm.12.10);

e) Acolher uns aos outros (cf. Rm.15.7);

f) Sujeitar uns aos outros (cf. Ef.5.21);

g) Edificar e consolar uns aos outros (cf. 1Ts.5.11);

h) Confessar os pecados uns aos outros (cf. Tg.5.16);

i) Servir uns aos outros (cf. 1Pe.4.10);

j) Instruir e aconselhar mutuamente (cf. Cl.3.16a).

Estas atribuições não são de um homem só, mas de todos aqueles que se dizem cristãos e membros do corpo de Cristo! Bem disse Martinho Lutero (1520. Citado por Bettenson. 1983. P.243):

Se é certo o artigo da nossa fé 'creio na Igreja Cristã', então o papa não pode estar certo sozinho; do contrário deveríamos dizer: 'creio no papa de Roma' e reduzir a Igreja cristã a um único homem, o que é uma heresia diabólica e condenável. Além disto, somos todos sacerdotes, como já disse, e todos temos uma fé, um Evangelho, um sacramento [...].

Postarei as demais propostas de reforma para a igreja institucional aqui no blog. Quem desejar minha monografia completa é só me solicitar no e-mail: anti-heresias@hotmail.com que Deus ajude o seu povo.


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